Terça-feira, 20 de Março de 2018

CORK TRAIL

Vila Nova da Erra. Alguém sabe onde fica? Algures no Distrito de Santarém e numa zona onde a cultura do arroz e a exploração da cortiça são os principais sectores de actividade económica.

 

E Coruche? Aí provavelmente que a maioria das pessoas já ouviu falar. Até porque além do Arroz (o arroz Cigala é produzido e embalado aqui) e da cortiça esta Vila é também bem conhecida pelas Touradas que reúne aqui bastantes aficionados. E para terminar esta introdução resta ainda acrescentar que José Peseiro, conhecido treinador de Futebol que já orientou equipas tão diversas como o Sporting Clube de Portugal, o Futebol Clube do Porto, o Sporting de Braga e agora o Vitória de Guimarães, é natural de Coruche.

 

Mas estamos aqui para falar de Corridas, mais propriamente de Trail.

 

Pelo quinto ano consecutivo o Trilho Perdido organizou uma corrida designada por Trilho da Cortiça ou Cork Trail. A maioria das pessoas decerto que se intriga onde iremos encontrar uma orografia própria desta natureza de provas já que associamos Coruche à várzea do Rio Sorraia e na qual impera a cultura de regadio. Mas de onde menos se espera por vezes surgem as maiores surpresas.

 

Estando a equipa das LEBRES E TARTARUGAS uma vez mais presente neste trail, o Carlos Gonçalves já constatou por três vezes que estamos em presença de um desafio tudo menos fácil. E a edição deste ano contou ainda com um aliado terrível que foi a chuva que se sentir bastante na semana anterior. Muita água, e ainda mais lama, foi algo que acrescentou desta vez maiores dificuldades aos bravos heróis que, muitos deles, partiram à descoberta de uma nova paisagem e que sentiram bem nas pernas a exigência de cada corrida, fosse ela a de quinze ou a vinte e cinco quilómetros.

 

À chegada a Vila Nova da Erra fomos recebidos com algum nevoeiro. Apesar de se tratar de uma aldeia simpática e pacata, logo desde cedo que esta pacatez foi quebrada com o rebuliço dos inúmeros atletas que aqui se deslocaram.

 

Houve tempo para fazer tudo com calma desde a procura de um lugar para estacionar o carro até ao levantamento dos dorsais.

 

O único representante das LEBRES E TARTARUGAS pousou junto à manga de partida e aproveitou para tirar uma selfie (ficando com má cara como é habitual) e enviar via WhatsApp aos amigos anunciando que estava pronto para disputar o Cork Trail, ou talvez o Fog Trail devido ao nevoeiro que se fazia sentir um pouco.

IMG_2212.JPG

Com um começo igual ao dos anos anteriores a organizou montou de novo um percurso cheio de muitas novidades e de dificuldades pelo que foram poucos os sítios por onde passámos e que se repetiam de outras edições. Nevoeiro quanto baste. Frio era algum, água e Lama em grandes doses. Enquanto progredia no caminho o nosso atleta tentava reconhecer aqui e acolá troços de outras edições. Mas não foram muitos. E pensava para si que este Trail estava a ter de tudo um pouco só faltando mesmo a chuva. Talvez fôssemos poupados a ela.

 

Mas a lama foi mesmo o nosso principal adversário. Não sabemos mesmo se eram mais difíceis as descidas, algumas bastante íngremes, se as subidas. Nas primeiras todo o cuidado era pouco para evitar alguma queda mais aparatosa e a deslizar encosta abaixo. Nas segundas, apesar dos socalcos postos de propósito ou abertos pelos atletas mais adiantados darem alguma ajuda, a falta de tracção era enorme. De tal modo que a certa altura, quando se preparava para vencer um desnível mais acentuado o Carlos Gonçalves, de pés e mãos enterrados na lama, foi surpreendido pelocomentário de uma atleta que vinha mesmo atrás de si: “Perdeu alguma coisa?” “Sim”, respondi-lhe. “Perdi a tracção. E ela lá seguiu alegremente à minha frente com uma ligeireza própria de quem levava uns muito úteis bastões.

 

E pensei para mim porque é que eu tenho de sempre de me armar em herói e deixar invariavelmente os bastões em casa. E que esta prova tenha servido de emenda. Ao longo da evolução no caminho o atleta tratou logo que pôde de arranjar uns bastões improvisados feitos de ramos ou pequenos troncos de pinheiro. Não mais os larguei. E como me foram úteis para vencer os últimos doze quilómetros.

 

Aqui e acolá apareciam-nos avisos de “CUIDADO” o que deixava logo antever que grandes dificuldades nos esperavam ao virar da esquina. A certa altura lá nos reencontramos com a habitual falésia, na qual temos de descer por uma reentrância e principalmente à custa da força dos braços. Para quem, como eu, já conhecia este acidente não havia nada a temer. Os estreantes perdiam ali algum tempo interrogando-se como melhor ultrapassar aquela zona.

 

E finalmente apareceu a chuva. Muita e a complicar ainda mais os últimos quilómetros ao longo dos quais a lama ditou a sua lei. Esta fase final foi igual pelo menos ao ano passado. Só que desta vez todo o piso era feito de uma lama profunda e extremamente escorregadia. A passagem por alguns precipícios tirava a respiração até ao mais ousado.

 

Placa do quilómetro vinte e quatro. Será que não iríamos ter mais lama? Sim. A partir deste ponto era só alcatrão até entrarmos de novo em Vila Nova da Erra. E como continuava a chover copiosamente as bermas estavam preenchidas por pequenos cursos de água e nos quais o Carlos Gonçalves procurava retirar alguma lama dos seus sapatos. Havia que terminar com boa apresentação, nada de pés cobertos e envoltos em lama.

 

Terminaram os 25 quilómetros da versão mais longa do Cork Trail. Ainda tentei tirar uma selfie com o meu ar bastante apresentável e na companhia dos meus “queridos bastões”. Só que a bateria do telemóvel “foi-se”. E nem sequer conseguia telefonar para casa ou deixar uma mensagem no WhatsApp.

 

Comi uma Bifana acompanhada de uma divinal cerveja, não uma mini que saberia a pouco. E enquanto degluto esta pequena refeição os vários elementos da organização perguntam-me com estou e se gostei. “Adorei e para o ano voltarei de certeza absoluta". E se calhar até acompanhado por mais algum Tartaruga.

 

A primeira preocupação agora era tomar um bom e retemperador banho. E como a esmagadora maioria dos atletas já tinha há muito terminado a prova fiquei com o balneário praticamente só para mim, longe das confusões normais.

 

Fiquei como novo. De regresso ao carro ainda passo pela zona da chegada e peço uma nova bifana pois já não chegaria a casa a tempo de almoçar com a família. Deste modo o estômago ficava “aconchegado” por algumas horas. Já sentado dentro do meu carro dou alguma carga ao telemóvel.

 

“Terminei. Foi durinho, não foi duro, aliás foi MUITO DURO. Ao nível de Almourol com muita lama e piso demasiado escorregadio. Tive de improvisar uns bastões recorrendo ao que a natureza nos dá: troncos de Pinheiro. Ah, e não fui o último.”

 

Com esta mensagem no WhatsApp pretendo tranquilizar os meus seguidores transmitindo-lhes que estava bem e como tinha sido difícil este Trail. Mas ao mesmo tempo muito belo e entusiasmante. As cinco horas e cinco minutos que gastei, e o desnível acumulado de 673 metros, atestam bem a dureza da corrida.

 

Para o ano há mais. Mas no próximo fim-de-semana volto a desafiar o Trilho da Costa Saloia onde também fui muito feliz em 2016 e 2017. Desta vez vou com a companhia do Frederico ao mesmo tempo que o Carlos Teixeira vai repetir a meia-maratona da Ponte 25 de Abril. Aliás a corrida onde tudo começou, ou seja a rampa de lançamento das LEBRES E TARTARUGAS.

 

Atletas que concluiram a Prova: 102

Vencedor: LUÍS FERNANDES (C.P.A./MARINHA): 2:09:10

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº 176) 

Classificação Geral: 99º - Classificação no Escalão M60: 4º

Tempo Oficial: 5:05:28/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): ND

Tempo médio/Km: 12m:13s  <=> Velocidade média: 4,91Km/h (*)

 

 (*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Corridas do Mês de Março

  • 4 - Corrida das Lezírias (V. F. de Xira) - 15,5 Km
  • 4 - Cork Trail (Coruche) - 25 Km
  • 11 - Trail da Costa Saloia (Mucifal/Colares) - 23 Km
  • 11 - Meia Maratona de Lisboa - 21,0975 Km
  • 18 - Corrida da Árvore (Lisboa/Monsanto) - 10 Km
  • 25 - Corrida dos Sinos (Mafra) - 15 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 22:39

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