Domingo, 5 de Janeiro de 2014

EUSÉBIO o Rei

Os meus amigos das LEBRES E TARTARUGAS que me desculpem mas vou ter de utilizar por agora o nosso espaço de reflexão para dedicar algumas palavras ao meu eterno ídolo desportivo EUSÉBIO.

 

Considero-me um privilegiado não só por ter tido imensas oportunidades de ver actuar ao vivo, ou em directo através da televisão, o melhor jogador português de sempre mas também por porque me lembro do Benfica antes e com o EUSÉBIO.

 

Desde cedo que me habituei a ir ao futebol com o meu Pai para acompanhar os jogos do meu clube do coração. Lembro-me também das primeiras notícias que falavam de um menino prodígio que tinha sido contratado pelo Benfica e sobre o qual se depositavam grandes esperanças. Sim, eu sou do tempo de um Benfica antes do EUSÉBIO no qual os nomes de maior destaque eram o Coluna, o José Águas e o Santana. Só que o aparecimento do EUSÉBIO veio mudar tudo. Lembro-me de que para mim a partir de certa altura o Benfica era o EUSÉBIO. Quando ia ao Estádio da Luz com o meu Pai para assistir a uma partida do meu clube de sempre a primeira pergunta que fazia era se o EUSÉBIO iria jogar. Em caso negativo preferia ficar com as minhas irmãs a brincar com uma bola nos espaços vazios debaixo da Bancada do Terceiro Anel. Para mim sem o EUSÉBIO o jogo deixava de ter importância de maior. O meu Pai chegava a perguntar-me se eu era do Benfica ou do EUSÉBIO. Timidamente lá dizia que era do Benfica. Mas … o EUSÉBIO exercia sobre mim um enorme fascínio e uma grande influência. Para mim o EUSÉBIO era tudo. Até o chegava a imitar no seu andar cambaleante, meio coxo, resultante das várias operações a que foi sujeito.

 

O meu maior terror não era o Benfica não ser Campeão Nacional, coisa rara nos anos sessenta e setenta. Perguntava-me sempre a mim próprio o que seria do Benfica sem o EUSÉBIO. INIMAGINÁVEL e INCONCEBÍVEL.

 

Algures nos setenta dou por mim numa bela tarde de futebol no Estádio da Luz para ver mais um Benfica-Sporting. Quando vejo a formação da equipa do meu clube verifico que não constava o nome do grande EUSÉBIO. Terror. Apenas dois avançados – Móia e Ibraim – que teriam a enorme tarefa de substituir o Rei. Conseguiria o Benfica levar de vencida o seu eterno rival e grande opositor nas competições internas dessa época? Para mim depois do EUSÉBIO seria o caos. Felizmente que não foi neste e em muitos outros jogos. Mas nunca lidei muito bem com a hipótese de um Benfica sem EUSÉBIO. Felizmente que apareceram outras alternativas igualmente eficazes e duradouras. Depois do Eusébio já passaram pela equipa principal de futebol outras estrelas como o Néné, o Artur Jorge, o Jordão, o Rui Águas, o Cardozo etc… que me provaram que o Benfica era um grande clube antes, durante e depois do EUSÉBIO.

 

Finalmente refeito da minha angústia do desaparecimento do EUSÉBIO como jogador do meu Benfica, muito pelo aparecimento de outras referências e porque mesmo o EUSÉBIO parecia não ser eterno, outra aflição toma conta de mim. Sim, já estava habituado a ver o EUSÉBIO fora das quatro linhas mas sempre omnipresente onde quer que o Benfica, ou até a nossa Selecção de Futebol, jogasse. Mas estaria preparado psicologicamente para a sua morte? Com o avançar da idade começamos a pensar neste fim que a todos nos aguarda. Mas o EUSÉBIO era especial. Não deveria morrer nunca. Não acredito em Deuses. Mas até poderia abrir uma única excepção só para o Rei EUSÉBIO.

 

As notícias sobre a degradação da sua saúde tiveram sobre mim um efeito de aviso. Teria de me preparar para um dia lidar com esta situação. Tal como me preparei para o desaparecimento de familiares próximos sabendo que ninguém, infelizmente, é eterno.

 

Mas a notícia de hoje, apesar de esperada, foi um choque. Ninguém está completamente preparado para o desaparecimento de algum ente muito querido.

 

Lembro-me desde miúdo que a minha maior ambição era tirar uma fotografia junto do meu ídolo EUSÉBIO. Esse sonho nunca se concretizou apesar dos esforços do meu Pai junto dos seus conhecimentos de dirigente e ex-dirigente do SLB. Mas nem sempre se consegue aquilo que mais ambicionamos. Mas tenho o privilégio, e refiro-o uma vez mais, de ter podido acompanhar o princípio, o durante e o fim da carreira de futebolista do grande EUSÉBIO.

 

Os meus filhos nunca viram o EUSÉBIO a jogar. Para eles a grande referência é, como não podia deixar de, ser o Cristiano Ronaldo e, um pouco, o Luís Figo. O melhor que lhes posso transmitir da real dimensão do EUSÉBIO é pegarem no Cristiano Ronaldo e recuarem quarenta anos. Não entro em comparações estéreis sobre quem será melhor se o EUSÉBIO ou o Cristiano Ronaldo. Uma coisa posso dizer. Na actualidade o jogador que melhor representa o Rei EUSÉBIO é sem dúvida o nosso ídolo português de momento.

 

Mas para mim o EUSÉBIO é, foi e será sempre o melhor. Só mesmo o Pelé lhe poderá fazer alguma sombra.

 

Quem me conhece sabe que não me emociono facilmente. Mas o desaparecimento do EUSÉBIO mexeu comigo e abalou um pouco, muito, os meus sentimentos.

 

Adeus EUSÉBIO.

publicado por Carlos M Gonçalves às 23:34

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