Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012

MARATONA DO PORTO

VALEU A PENA ...

 

Foram vinte semanas de intensa preparação. Estes dois atletas - Carlos Gonçalves e Carlos Teixeira - decidiram que se iriam apresentar nas suas melhores condições na 9ª edição da Maratona do Porto. O primeiro repetiria aquela que foi em 2011 a sua estreia numa prova desta distância. O outro escolheu a cidade do Porto para se estrear e desafiar pela primeira vez a mítica distância dos 42,195 quilómetros. Todos, ou pelo menos a grande maioria dos corredores, sejam eles atletas profissionais ou meramente amadores de "fim-de-semana", sonham um dia participar e completar uma Maratona. É o grande desafio. E nós não fugimos à regra.

 

Em Junho  estes dois bravos atletas decidiram seguir à risca um ambicioso plano de treinos disponível na págima oficial da prova. Foi necessária uma grande determinação para cumprir "à risca" o plano sem grandes desvios. Muito sacrifício e espirito de entrega a uma causa para nós considerada muito nobre. Corremos praticamente todos os dias, apenas com um descanso semanal. Fosse de manhã bem cedo ou ao fim da tarde já pela noite dentro, e por vezes até à hora do almoço, com calor ou com frio (pouco) e até com alguma chuva, cada um de nós cumpria o seu plano de treino. E muito importante foi também o apoio das nossas famílias, compreensivas quando nos fazíamos à estrada logo bem cedo ou até quando, por motivo do treino se realizar ao final do dia, atrasávamos o jantar familiar. E pelo meio continuávamos a participar nas nossas habituais provas funcionando como um complemento da nossa intensa preparação.

 

Na véspera da Maratona efectuámos o último treino ligeiro e seguimos, isoladamente, à tarde para a cidade invicta. A última noite foi, como já era de esperar, mal dormida. O nervosismo tomava conta do nosso sub-consciente, principalmente do nosso estreante, por muito que o tentássemos evitar. Apesar de termos mais tempo para descansar, em virtude da mudança da hora, na realidade pouco aproveitámos este bónus.

 

Às oito da manhã encontrámo-nos e lá fomos para o local de início da Maratona. Como habitualmente deparámo-nos com bastantes atletas, muitos até oriundos de outros Países. Satisfeitas as últimas necessidades fisiológicas (para não termos de parar três vezes ao longo do percurso como aconteceu em 2011 ...) tiramos as fotos da praxe e colocamo-nos perto do insuflável que marcava a linha de partida da corrida.

Dado o tiro de partida os dois TARTARUGAS iniciam finalmente a tão desejada corrida, sempre juntos e a marcarem o ritmo mais apropriado e sem entrarem em grande loucura. Sim porque, contrariamente às provas de distâncias mais curtas (inclusivé Meias-Maratonas), é precisamente no início que se hipotecam as esperanças de um bom resultado numa MARATONA. A experiência, e os testemunhos de outros maratonistas, dizem-nos que não se deve começar uma Maratona com um ritmo muito forte. Um dos erros mais comuns é fazer a primeira metade da corrida com se se tratasse de uma meia-maratona. Normalmente o desgaste  acaba por se pagar muito caro no último terço da corrida.

 

Bem juntinhos os dois TARTARUGAS cumpriam os quilómetros que até nos pareciam passar bastante depressa. De vez em quando um lá avisava que talvez estivéssemos a ir depressa de mais. Mas fomos aguentando. Grande parte da corrida foi cumprida a um ritmo entre os cinco e vinte cinco e os cinco e quarenta minutos por quilómetro. A continuarmos assim iríamos de certeza concluir a prova abaixo das quatro horas. A caminho da Praia do Furadouro cruzamo-nos em sentido contrario com o balão das quatro horas. Estranho, não é??? Nós até deveríamos estar a correr à frente daquela marca ...

 

Após atravessarmos pela segunda vez a Ponte D. Luís, e ultrapassado o último ponto de inversão do percurso, aproximamo-nos dos últimos dez quilómetros. É sem dúvida um marco muito importante do ponto de vista psicológico. Como costumo dizer a partir deste ponto "é sempre a descer". Mas também nos aproximamos perigosamente do apelidado "muro dos trinta e cinco quilómetros".

 

Um pouco antes deste marco o nosso duo desfaz-se. Carlos Teixeira abranda o ritmo em virtude de lhe aparecerem umas indesejáveis dores nos tendões. Provavelmente tomou a decisão mais correcta que lhe viria a permitir terminar a sua primeira maratona sempre a correr.

 

O outro TARTARUGA começa então a fazer contas à vida. A miragem de bater a míitica barreira das quatro horas começava a transformar-se em realidade. À passagem do quilómetro trinta e sete começa a acelerar ligeiramente. Sentia-se bem, a "máquina" correspondia às exigências, e principalmente, estava muito confiante. Com o "placard" número 39 verifica que tinha uma margem bastante confortável: era suficiente cumprir os quilómetros finais a um baixíssimo ritmo de oito minutos por quilómetro para ficar abaixo das quatro horas.

 

À entrada da Avenida da Boavista, e já com os insufláveis laranja à vista, imprime a aceleração final, tão ao seu gosto. Cortada a meta verifica que não só realizou um tempo abaixo das quatro horas como recuperou trinta minutos relativamente ao tempo de 2011 ...

 

Poucos minutos depois chega o segundo altleta das LEBRES E TARTARUGAS registando um tempo de quatro horas e mais alguns segundos. É uma marca espectacular principalmente para quem realiza a sua primeira maratona.

 

Contentes como era de esperar os dois atletas abraçam-se felicitando-se mutuamente. Mas não se esquecem do terceiro elemento que tinha ficado em Lisboa para participar na Corrida do Monge. Mas também fizeram questão de se lembrarem que há um contrato a cumprir. Em 2013 é a vez do FREDERICO vir ao Porto a fim de se estrear numa Maratona. E logo telefonaram ao colega para lhe relatarem as emoções da corrida mas também para o lembrarem do "contrato"...

Quanto à organização só temos que apontar que, na nossa óptica, os abastecimentos não estiveram à altura da prova. Em corridas com uma grande densidade de altetas temos normalmente abastecimentos dos dois lados da pista evitando-se ao máximo atropelos e empurrões.

 

Também não podemos deixar de enaltecer o apoio popular que foi uma constante ao longo de toda a corrida. E como os nosso dorsais tinham inscrito o nosso nome próprio até nos incitavam de uma forma mais directa. Bonito. Assim até parece que correr não custa muito.

 

Decididamente que em 2013 cá estaremos de novo e, esperamos, na nossa máxima força.

 

Atletas que concluiram a prova: 1668 (1517 em 2011)

Vencedor: Kaiuthu  Wairuri (Quénia): 2:12:14

 

CARLOS TEIXEIRA (Dorsal Nº336)

Classificação Geral: 1122º - Classificação no Escalão M5054: 106º

Tempo Oficial: 4:01:28/Tempo Cronometrado Individualmente: 4:00:41

Tempo médio/Km: 5m:42s  <=> Velocidade média: 10,52Km/h (*)

 

CARLOS GONÇALVES  (Dorsal Nº335)

Classificação Geral: 1011º - Classificação no Escalão M5559: 56º

Tempo Oficial: 3:55:20/Tempo Cronometrado Individualmente: 3:54:33

Tempo médio/Km: 5m:34s  <=> Velocidade média: 10,79Km/h (*)

 MELHOR TEMPO INDIVIDUAL NA PROVA E NA DISTÂNCIA DA MARATONA

 

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados individualmente

 

Calendário para o mês de Outubro

 

  • 7 - Corrida da Água (Lisboa/Monsanto) - 10 Km
  • 14 - Corrida do Sporting (Lisboa) - 10 Km
  • 21 - Corrida do Tejo (Oeiras) - 10 Km
  • 28 - Maratona do Porto - 42,195 Km => Carlos Gonçalves e Carlos Teixeira
  • 28 - Corrida do Monge (Sintra) - 11,5 Km => Frederico Sousa

 

 

publicado por Carlos M Gonçalves às 00:25

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29

.posts recentes

. CORRIDA DO TEJO

. CORRIDA DA LINHA MÉDIS

. MEIA MARATONA DE S. JOÃO ...

. TRAIL DOS MOINHOS SALOIOS

. CORRIDA DAS FOGUEIRAS

. OEIRAS TRAIL

. PALMELA RUN

. Lx Trail Monsanto

. CORRIDA DE BELÉM

. MEIA MARATONA DE SETÚBAL

.arquivos

. Setembro 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

.links

.subscrever feeds