Terça-feira, 9 de Julho de 2019

TRAIL DOS MOINHOS SALOIOS

“Terminei o Trail dos Moinhos Saloios e parece que não me correu muito mal…”

 

Foi com esta mensagem no WhatsApp das Lebres e Tartarugas Moinho.jpgque o Carlos Gonçalves comunicou que tinha concluído a sua segunda presença no Trail dos Moinhos Saloios. Mas já lá vamos quanto ao real significado desta frase.

 

Depois de uma primeira participação em 2016 esta foi a segunda vez que uma equipa, ainda que muito reduzida, das LEBRES E TARTARUGAS participou no Trail dos Moinhos Saloios disputada na União das Freguesias Venda do Pinheiro - Santo Estêvão das Galés. Relativamente à nossa anterior participação registaram-se algumas novidades. A primeira foi a alteração do local da partida, outrora no Campo de Futebol da Venda do Pinheiro, sendo agora no mais agradável e recentemente construído Parque Ecológico da Venda do Pinheiro. Seguramente que foi muito mais agradável. A segunda, e porventura a mais importante alteração, foi a ausência do Frederico que, devido a outros afazeres, e talvez com medo do intenso calor que se fez sentir em 2016, decidiu não fazer companhia ao outro Trailista habitualmente presente nesta modalidade de corridas.

 

O ambiente era de festa. Àquela hora estava o Presidente da Câmara de Mafra, a cujo concelho pertence esta simpática Vila, na distante cidade de Baku, no longínquo Azerbaijão, para receber a distinção de passagem a Património Mundial da Unesco do Convento de Mafra e de toda a Tapada em redor deste.

 

Contrariamente ao que é habitual o Carlos Gonçalves chegou mesmo em cima da hora de partida do Trail, tendo tido apenas tempo para estacionar o carro, dirigir-se ao local de levantamento do dorsal e correr para a partida. Foi um bom aquecimento, forçado. Enquanto aguardava pela partida constatou, com alguma dose de preocupação, que eram muito poucos os atletas concorrentes à prova de Trail. Teria de dar muita “corda aos sapatos” se não quisesse ter a companhia do “Vassoura” que iria fechar o pelotão dos atletas da corrida dos vinte e cinco quilómetros.

 

Depois das habituais instruções, não sem recordarem algumas atletas já desaparecidas e habituais participantes em provas organizados pelo Trilho Perdido, é dada a ordem de partida . Começamos o primeiro quilómetro deambulando por ruas adjacentes ao Parque Ecológico até entramos definitivamente em modo de trilhos. E, como é habitual, começamos logo com uma subida mais pronunciada em alcatrão. E como custam estas subidas quando os atletas ainda não aqueceram convenientemente. Mal tinham decorrido os primeiros dois quilómetros, estava eu pensar como seria a edição deste ano e quão exigente. Pois. Chegamos a um cruzamento e temos de virar à direita. Aguardava-nos o Trilho do Padre, nem mais nem menos que uma daquelas íngremes escaladas onde, por vezes, é conveniente e necessário entrar em modo de tracção total, isto é, com o recurso a pés e mãos para vencer as maiores dificuldades. Que mal fizemos nós ao Padre? Em vez de nos mandar rezar uns tantos “Padres-nossos” e umas quantas “Avé Marias” para espiarmos os nossos eventuais pecados, deram-nos um castigo bem maior. Porventura portámo-nos bastante mal. Vencido este primeiro "round"entramos em modo de descida, em zonas por vezes mais escorregadias, não pela existência de lama mas pelo piso muito seco e algo pedregoso. Enfim, deu para recuperar um pouco. E eis-nos de volta ao cruzamento onde iniciámos o Trilho do Padre. À direita aguarda-nos agora um novo desafio. O Trilho do Poste de Alta Tensão leva-nos a um dos pontos mais altos de todo o percurso. Como dizia uma antiga empregada dos meus avós, era um Poste de “Alta Traição”. E é que foi mesmo uma espécie de traição para todos nós. Não vale a pena reclamar. Na realidade estamos ali todos de boa vontade, ninguém nos obrigou a tal. Com as palavras do Bruno Laje no meu pensamento - “isto é jogo a jogo” - adoptei a táctica do “passo a passo”. E com os olhos postos no caminho e não no Poste colocado lá bem acima das nossas cabeças, passámos à fase seguinte. Normalmente depois de uma subida mais longa temos alguns momentos de maior descontracção com troços maioritariamente a descer, ainda que sendo necessária alguma atenção. Aguarda-nos um novo trilho: o“Trilho do Cão Mau”. Iríamos ter a visita de algum canídeo mais raivoso e que pretendesse vingar-se em nós? Não. Apenas encontrámos dois pequenos cães presos por uma corrente e do lado de dentro do portão. Estávamos salvos. Um pouco mais à frente temos a companhia de algumas galinhas de que de más nada tinham. Aliás, fugiram a sete "patas" de nós.

 

Passados os primeiros cinco quilómetros entramos, por breves momentos, em modo de alcatrão. Quase nem demos pela distância. E seguimos de Trilho em Trilho. Quando o calor começou, felizmente, a apertar, entramos no Trilho do Carrossel. Foi um troço em constante “sobe e desce”, como se se tratasse de uma diversão da extinta Feira Popular em Lisboa, e com a grande vantagem de ser praticamente todo à sombra.

 

A fazer jus ao seu nome o Trilho dos Montes Saloios tem um perfil orográfico constituído por constantes subidas e descidas à procura dos locais onde se encontram ou Moinhos antigos ou então as modernas “eólicas” que proliferam por estas zonas.Altimetria 2019.jpg

Subitamente saímos de um estradão para cumprirmos a “Subida do Multibanco”. O nome não nos era estranho da nossa anterior participação. Só que, surpresa das surpresas, a subida era, afinal, uma descida. É certo que o caminho era bastante acidentado, mas essa era a única dificuldade. E, no final da descida, lá fomos encontrar, à nossa esquerda, o famoso Multibanco.

Uma nota de realce vai para os muitos pontos de abastecimento onde além de líquidos nos foi servida fruta variada - bananas, laranjas e melancia - bem como doces e salgados. Muito bom.

 

Apesar de bem sinalizado houve situações em que alguns atletas se iam perdendo. Os Trails não são só subidas e descidas. São também uma prova de orientação. Por vezes há a tentação de seguir “cegamente” o parceiro que vai à frente sem olhar para as fitas e outro tipo de sinalização. Se um opta pela direcção errada decerto que não irá sozinho.

 

O Trail dos Moinhos Saloios deu para tudo. Logo de início comecei a “engendrar” na minha cabeça o tronco da crónica da corrida. Assim tomava mais atenção a todos os pormenores facilitando, e muito, a redacção da história final. E também deu para, numa subida mais longa, atender uma chamada via WhatsApp do meu filho Gonçalo que se encontra lá longe na República Dominicana. Foi, decisivamente, um grande empurrão para vencer os últimos obstáculos.

 

À passagem pelo último abastecimento informam-nos que faltam cerca de dois quilómetros. O Fim está próximo. É simultaneamente uma boa e uma má notícia. Boa porque o descanso está perto, mas má porque vai terminar uma corrida de que estávamos a desfrutar com grande gozo.

 

Quando entramos no último trilho ficamos a saber que as subidas terminaram. “Agora é sempre a descer até à meta”.

 

Regressados à civilização retomamos o alcatrão. Algumas centenas de metros mais à frente e reentramos no Parque Ecológico da Venda do Pinheiro onde começou a prova. Mas os derradeiros metros parece que são os que nos custam mais a passar. A Meta está ali mesmo à nossa frente, mas somos obrigados a dar uma volta pelos limites do Parque.

 

Ao cortar a meta, no meu derradeiro e habitual “sprint”, recebo uma notícia que me encheu de ânimo: “Vai ao Pódio. É o terceiro atleta do escalão M60”. Valeu o esforço. Mas como estou sozinho tenho de encontrar alguém que registe no meu telemóvel a minha subida ao pódio. Não foi difícil. Aliás não se trata de um problema para mim, situação pela qual passamos quando temos de pedimos a alguém para fotografar os elementos das LEBRES E TARTARUGAS, antes e depois de qualquer prova.

IMG_20190707_132048.jpg

IMG_20190707_132107.jpg

Terminada a cerimónia de entrega dos prémios corro, na medida do possível, em direcção ao meu carro. Desejava ardentemente informar no WhatsApp das LEBRES E TARTARUGAS que tinha terminado a prova.

 

“Terminei o Trail dos Moinhos Saloios e parece que não me correu muito mal…”

 

Foi o encerramento da época 2019/2020. A menos que surja alguma corrida de surpresa é tempo do merecido repouso. Isto não significa que termine por completa a actividade física.

 

[Crónica de Carlos Gonçalves]

 

Vencedor: NÉLSON AMARAL (AMCF - Arrábida Team): 2:08:52

 Atletas que concluiram a Prova: 124

Atletas Dorsal Escalão

Classificação Geral

Classificação Escalão

Tempo Oficial Tempo Líquido

Ritmo min/Km

Velocidade Km/h

Carlos Gonçalves
129 M60
109º
4:01:19 ND 9:39
6,22

NOTA: O Ritmo e a Velocidade média foram calculados em função do tempo líquido da prova.

Corridas do Mês de Julho

  • 7 - Trail dos Moinhos Saloios (Venda do Pinheiro) - 25 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 13:34

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. TRAIL DOS MOINHOS SALOIOS

. CORRIDA DAS FOGUEIRAS

. OEIRAS TRAIL

. PALMELA RUN

. Lx Trail Monsanto

. CORRIDA DE BELÉM

. MEIA MARATONA DE SETÚBAL

. CORRIDA DO 1º DE MAIO

. 30 KMS VALE DOS BARRIS

. TRILHOS DO ALMOUROL

.arquivos

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

.links

.subscrever feeds