Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

UTSM 2016

O que leva uma pessoa a cometer certas loucuras? Será a inocência da juventude para a qual não existem limites? Será a manifestação dos primeiros sinais de senilidade de alguém que já entrou, ainda que muito recentemente, no pesado, em termos psicológicos, grupo dos sexagenários? Ou será que essa pessoa ainda se sente em condições de lançar desafios para os quais irá ser testado até aos limites?

 

Aguardemos pelo desenvolvimento dos próximos capítulos.

 

1. Antecedentes

 

Em 2013 o Tartaruga Carlos Gonçalves abalançou-se à segunda edição do Ultra Trail de São Mamede, e logo na versão longa de 100 quilómetros. Com alguma dificuldade, principalmente em termos de revolta contra o percurso que, no seu dizer, “andámos às voltas”, conseguiu concluir, logo à primeira vez, a distância de cem quilómetros tendo sido o último atleta a classificar-se dentro do tempo limite de vinte e quatro horas.

 

Um ano mais tarde este atleta reincidiu na UTSM desafiando uma vez mais a distância máxima de cem quilómetros. Sem ser adepto ou seguidor de qualquer religião esta é a sua peregrinação anual, não a Fátima ou a Meca, mas sim à Serra de São Mamede no Nordeste Alentejano. Por motivos então relatados o Carlos Gonçalves viu-se obrigado a desistir no PAC (Posto de Abastecimento e Controlo) de Marvão com 60 quilómetros percorridos.

 

À meia-noite do dia 31 de Dezembro de 2014 a equipa das LEBRES E TARTARUGAS voltou a inscrever o mesmo atleta na prova rainha da UTSM. No entanto uma lesão a nível muscular afastou-o deste desafio de 2015.

 

2. Inscrição na UTSM 2016

 

Com as mazelas para trás o atleta solitário das LEBRES E TARTARUGAS voltou a inscrever-se na edição de 2016 da UTSM, e uma vez mais na distância máxima dos cem quilómetros.

 

Para lá da distância o que atrai muitos atletas nesta altura do ano a Portalegre são, principalmente, as etapas da noite e só acessíveis a quem se dispõe a arriscar a distância máxima. Ora este ano a organização decidiu criar uma nova prova com sessenta quilómetros de extensão e que começava exactamente à meia-noite, em simultâneo com a prova da distância máxima, e terminando em Marvão. Estava encontrada a fórmula mágica para quem não se sente preparado para se abalançar aos cem quilómetros mas procura fazer o período da noite.

 

No caso do TARTARUGA Carlos Gonçalves duas ideias passaram pela sua cabeça no momento da inscrição: Inscrever-se no Trail Longo de 60 Km e dar por terminada a corrida em Marvão ou, então, inscrever-se nos 100 quilómetros tendo como primeira meta Marvão e depois logo se veria se estaria, ou não, em condições de se abalançar até Portalegre.

 

3. O dia D-1

 

Se bem que nas anteriores participações o atleta solitário tenha contado com a participação e apoio no local de alguns dos seus apoiantes a nível familiar, em 2016 tudo foi preparado de um modo mais profissionalizado.

 

Assim, e à semelhança das Selecções ou Equipas de Alta Competição, nada foi deixado ao acaso. Assentámos o nosso Quartel-general numa residência do tipo de Turismo de Habitação numa localidade anteriormente importante – Beirã – perto da bela Vila de Marvão.

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Após a desactivação do Ramal de Cáceres a antiga Estação Ferroviária de Marvão-Beirã foi votada ao abandono. O seu destino era igual ao de tantas outras Estações ou Apeadeiros Ferroviários que simplesmente começaram a morrer lentamente e em agonia após a desactivação das linhas que as serviam. Mas nem sempre o destino prevalece à vontade de contrariar a resignação. Um casal decidiu pôr mãos à obra e, recuperando a Estação de Marvão/Beirã, transformou-a num óptimo local para se passar um inesquecível fim-de-semana turístico.

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E foi neste local de estágio que assentou arraiais a equipa de apoio das LEBRES E TARTARUGAS: Atleta Carlos Gonçalves, Treinadora Ana Luísa, responsáveis pela logística e transporte Catarina e Pedro, e o elemento mais importante da claque de apoio, qual “NO NAME BOYS”, Afonso (Afonsinho para os amigos).

 

Depois do almoço a comitiva partiu em direcção a Portalegre. A primeira etapa consistia em recolher o dorsal e restante material do denominado “kit de participante”. Cumprida a primeira obrigação do dia rumámos até Beirã para tomarmos conta dos nossos aposentos. O atleta entra em período de concentração. Equipa-se e verifica por uma última vez se nada lhe falta no equipamento indispensável para a corrida: suplementos alimentares e energéticos, lanterna, manta térmica, um jogo de pilhas suplentes, etc.etc.etc..

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Tudo estava em ordem. De fora ficaram os bastões que nunca tinha usado em provas de trail mas que normalmente se revelam de uma extrema utilidade. No entanto o atleta não quis arriscar levar consigo algo que se poderia tornar complicado em termos de transporte e de arrumação ao longo da maratona. Fez mal como mais à frente será referido.

 

Depois de se equipar e relaxar um pouco a equipa parte à procura de um local sossegado para o Jantar, última refeição antes de uma noite que se previa bem exigente.

 

Sem pressas, mas sem relaxar muito, regressamos a Portalegre. A animação era grande. Várias centenas de atletas aprontam-se para a prova em que se inscreveram. Mas também são os muitos acompanhantes e membros voluntários da organização que contribuem para os momentos de excitação que antecedem a partida. Para quem é repetente este ambiente já lhe é de algum modo familiar. Os novos participantes e seus acompanhantes testemunham ao vivo o ambiente frenético que embeleza a UTSM.

 

4. Dia D - Meia Noite

 

Um pouco antes de soarem as doze baladas os vários atletas submetem-se ao controlo de partida e verificação do equipamento mínimo exigido pela Organização. A Pista de Atletismo do Estádio dos Assentos está divida em dois corredores. Do lado direito alinham-se os candidatos a heróis da prova de cem quilómetros. Do lado de dentro, mais próximo do relvado, perfilam-se aqueles que optaram por terminar a corrida em Marvão cumprindo a distância de sessenta quilómetros. No meio daquela amálgama de gente vêem-se algumas, muitas, caras conhecidas. E a sempre eterna ANALICE SILVA que aqui está uma vez mais para correr a Ultra Maratona.

 

Tiram-se muitas fotografias e trocam-se abraços e incentivos mútuos para uma corrida que se prevê longa e com muitas dificuldades.

 

As minhas duas apoiantes ficam do lado de fora e trocam comigo os últimos votos de boa sorte. Ainda tive tempo para enviar a habitual mensagem a todos aqueles que, mesmo não estando presentes, irão certamente torcer por mim.

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Falta o Pedro que teve de ficar no carro pois o Afonso há muito que tinha adormecido. Mas os dois homens também partilhavam do meu entusiasmo.

 

O nervosismo de todos é latente. Ligam-se e desligam-se as lanternas frontais. Ligam-se os relógios para captar o sinal do GPS. Mais uma última “selfie”.

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 Começa a contagem decrescente até que, finalmente, é dado o tiro de partida.

 

5. A Prova Começa

 

A confusão é grande. Aliás o habitual. Começam-se a devorar os quilómetros e inicia-se a contagem decrescente da distância que nos separa da meta.

 

À semelhança das edições anteriores iremos encontrar dez Postos de Abastecimento e Controlo:

 

  • Altas Quintas/Reguengo
  • Alegrete
  • Antenas/Alto de São Mamede
  • São Julião
  • Porto da Espada
  • Marvão – ponto final para o Trail Longo
  • Castelo de Vide
  • Carreiras
  • Convento da Provença
  • Ermida da Penha

 

Mas também é possível, através de uma ligação existente na página oficial da prova, acompanhar a evolução de todos os atletas mediante o acesso ao “live tracking”.

 

Da minha parte combinei com a minha equipa enviar mensagens de voz via WhatsApp sempre que chegasse a qualquer Pack. Ficariam mais descansados por saberem da minha evolução e de que estava bem.

 

Até à simpática Vila de Alegrete o único obstáculo de maior monta foi a habitual passagem por uma ribeira que tínhamos de atravessar em dois sentidos e por cima de pedregulhos bem escorregadios. Surge o primeiro, e único, grande engarrafamento da prova. Nesta passagem perdemos seguramente mais de meia hora que teríamos de recuperar lá mais para a frente, isto caso pretendêssemos chegar a Marvão antes da hora de corte. Mas também logo de início sentimos os efeitos dos dias muito chuvosos que antecederam a UTSM: muita água e muita lama. Aliás já deveríamos estar conscientes desta situação pois a mesma foi divulgada no “site” da prova tendo mesmo indicado que houve necessidade de fazer alguns ajustes ao percurso.

 

6. A subida às “Antenas”

 

Cumprida a primeira vintena de quilómetros, ao deixarmos para trás o PAC de Alegrete, tomamos de assalto a Serra de São Mamede. Até aqui tinha sido para aquecer os músculos e as articulações mas também para molhar os pés e chafurdar na muita lama existente. Durante cerca de dez quilómetros vamos vencer vários obstáculos que nos dificultarão o acesso ao ponto mais alto em termos de altimetria. Alternando entre estradões e trilhos mais técnicos, com algumas subidas e descidas, vamos avançando até chegarmos ao famigerado “corta-fogo” que nos guiará até bem juntinho dos geradores eólicos que antecipam a chegada ao alto de São Mamede. Duro como já tinha presenciado há dois anos. Desta vez no lugar da pedra solta tínhamos a lama. E foi aqui que me arrependi de não ter trazido os bastões. Faziam-me mais falta do que no fundo da bagageira do nosso carro. Olhei em redor e deitei a mão a dois pequenos troncos que cumpriram fielmente a sua missão de me ajudar naquela interminável subida. À medida que ia ultrapassando algum, ou alguma, atleta olhavam de um modo estranho para os meus bastões improvisados. E mais espantados ficavam quando lhes dizia que tinha trazido bastões mas os tinha deixado “em terra”. Foi uma lição que aprendi e que certamente não cometerei o mesmo erro nas próximas vezes que vier à Ultra Trail de São Mamede.

 

Sim, porque eu vou voltar no próximo ano.

 

Com o dia a começar a dar os primeiros sinais atingimos as Antenas e assim terminava a longa e maravilhosa noite. Mas é mesmo esta longa noite que me atrai até estas paragens. É o encanto especial da prova.

 

Cheguei com mais de meia hora de avanço relativamente à minha última participação.

 

7. Rumo a Marvão

 

Depois me alimentar e largar os meus fiéis bastões abalanço-me à próxima etapa em direcção ao PAC4 em São Julião. O Sol começa a despontar. Recordo-me do meu filho Gonçalo ter dito que ficava à espera de lhe enviar alguma imagem do nascer do Sol. Paro por uns breves instantes, tiro uma fotografia ao astro rei e envio a minha primeira, e única, mensagem escrita via WhatsApp: “BOM DIA”. 

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 Provavelmente que alguns atletas já terão desistido. E alguns outros ainda vêm aí atrás de mim. Começa uma etapa que vou cumprir em totalmente isolamento. Só voltarei a ter sinais de vida quando, depois de atravessar uma ribeira, chegar a São Julião. Há dois anos foi nesta fase que comecei o meu calvário de dores nos pés que me levariam à desistência em Marvão. Desta vez a minha condição era infinitamente melhor. Só penso em recuperar algum do tempo perdido no início. Volto a improvisar dois bastões que me virão a ser muito úteis. De monte em monte, e sempre com o Alto de São Mamede em linha de vista, vou calcorreando os quilómetros que me conduzirão até ao Porto da Espada. Todo este caminho era conhecido da minha participação em 2014. Só que, contrariamente ao que aconteceu na altura, agora não tinha o atleta “Vassoura” a morder-me os calcanhares. De vez em quando olhava para trás e não via “vivalma”. Para a frente também não vislumbrava qualquer atleta.

 

Quando faltavam algumas centenas de metros para chegar ao PAC5 em Porto da Espada encontro, finalmente, sinais de vida: um voluntário da organização e, para surpresa minha, a Ana e o Pedro. Transportavam os bastões para mos entregarem. Mas decidi terminar a etapa com os meus “amigos paus” que muito me ajudaram até aqui. Um pouco mais à frente três simpáticas voluntárias vêm ao meu encontro e ajudam-me, uma de cada lado e outra atrás, para chegar ao Posto de Abastecimento são e salvo. E lá mais à frente encontro a Catarina com o Afonso ao colo. O meu neto olha para mim com uma cara estranha ao ver-me com uma imagem a que não está habituado. Depois de me reconhecer larga um daqueles seus sorrisos de encantar até o mais triste ser humano.

 

Depois de me alimentar e saciar a minha sede com bebida isotónica parto decidido até Marvão. Com bastões a sério até consigo correr e avançar rapidamente para o final da etapa. Nunca tinha utilizado bastões mas aprendi rapidamente a tirar deles o maior proveito.

 

Tinha de chegar ao PAC6 antes das catorze horas para não ser barrado e poder continuar até Portalegre.

 

Volto a reencontrar a minha claque de apoio à beira da estrada. Segue-se a grande subida até ao Castelo de Marvão. Caminho ou corro algumas centenas de metros até atravessar mais uma ribeira. Devido ao elevado caudal a organização teve de improvisar uma ponte que nos permitiria atravessar em segurança até à outra margem.

 

Ao longe avisto finalmente um outro atleta. Tento aproximar-me dele aumentando o meu ritmo de caminhada. Os bastões faziam milagres.

 

Ultrapassada a primeira fase de subida sabia que ao chegar à estrada de acesso a Marvão ainda tinha a derradeira escalada. Só que este ano este troço foi alterado. Ainda bem. Segue-se uma sucessão de subidas bem identificadas por um cartaz de aviso: Aqui começa uma zona de subidas. Vamos a elas.

 

A certa altura sinto algumas vozes atrás de mim. Sem saber de onde vieram duas atletas passam por mim “surpreendentemente frescas e cheias de genica”. Terão caído do céu? Havia largas dezenas de quilómetros que não via alguém atrás de mim. Foi uma surpresa enorme. Cheguei mesmo a perguntar a mim mesmo se não terão feito alguma “batota”…

 

À entrada do Castelo de Marvão volto a reencontrar a minha equipa. O Pedro ainda me dá uma mãozinha empurrando-me ao longo dos últimos degraus.

 

8. A surpresa e a DESOLAÇÃO

 

Entretanto já passava das duas da tarde pelo que certamente já não me deixariam continuar em prova. Aqui também estava colocada a meta da corrida dos sessenta quilómetros.

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Aliás devia estar mas já não estava. A organização já tinha começado a desmontar a “tenda”. Parecia que estavam cheios de pressa para se irem embora. A desolação foi tal que verifiquei que ninguém controlou a minha chegada àquele ponto. E tive de ser eu a perguntar se poderia ou não continuar em prova. Recebi uma resposta fria e seca: “Se continuar é por sua conta e risco”. “Tout court”.

 

Sentia-me com energia física e psicológica para continuar. Mas, perante aquele aviso, o meu bom senso disse-me que era melhor ficar por ali. Temi que se continuasse em prova e chegasse a Portalegre já depois da meia-noite não me deixassem terminar a Ultra Maratona. Não quis arriscar embora tenha ficado com um sentimento misto de frustração e de impotência.

 

Recolhi a minha mochila com a “muda de roupa” e regressámos ao nosso Paraíso em Beirã. Pelo caminho Informo os meus dois colegas Tartarugas do fim da minha aventura. Aliás foi com grande esforço que consegui construir uma simples mensagem de SMS pois a minha cabeça cambaleava e precipitava-me para um sono profundo.

 

Tomo um retemperador duche logo seguido de um banho de imersão. E este foi ainda mais retemperador pois cheguei mesmo a adormecer dentro da Banheira.

 

Como ninguém tinha comido mais nada desde o pequeno-almoço, com excepção do Afonso, e a hora do jantar ainda estava distante, regressámos a Portalegre para uma refeição ligeira. Aproveitei esta curta viagem para pôr algum do sono em dia. Com os estômagos um pouco mais compostos visitámos a Ermida da Penha onde fomos encontrar alguns dos resistentes da Ultra Maratona bem como participantes no Trail Curto de 25 Km. Senti alguma revolta interior por não poder ter chegado até ali…

 

9. Epílogo da Aventura

 

Depois de um magnífico jantar na localidade da Portagem é hora de regressar pela última vez ao nosso paraíso em Beirã. Às dez e meia da noite deito-me e só volto a acordar para a vida já o Sol começava a brilhar e a aquecer o ambiente. Foi uma directa.

 

Esperava-nos um dia muito importante e para o qual esperávamos vir a ter emoções muito fortes, positivas de preferência.

 

Tomámos o pequeno-almoço no local onde anteriormente funcionava o Restaurante da Estação de Marvão/Beirã. Foi precisamente neste local que muitas vezes Salazar e Franco se reuniram para acerto de estratégias políticas ibéricas comuns. Estávamos num local carregado de memórias históricas.

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Recebo uma mensagem do Frederico a perguntar-me se tinha concluído a prova pois, no live tracking, eu já tinha ultrapassado os 85 quilómetros... Sintomático do controlo que tinham feito aos vários atletas.

 

Feitas as malas partimos para Lisboa. Tínhamos um compromisso inadiável de estar antes das dezassete horas no Estádio da Luz para apoiar o clube da nossa preferência e levá-lo “ao colo” até ao tricampeonato. Que me desculpe o meu amigo Carlos Catela mas desta vez estávamos em lados opostos da “barricada”.

 

Dá-me o 35 era o nosso lema.

 

Que me desculpem também os nossos seguidores de blogue mas esta crónica/história foi um pouco longa demais. Mas havia tanto para relatar que, confesso, exagerei um pouco desta vez.

 

Atletas que concluiram a prova:

  • UTSM- 100 Km: 237
  • TL 60 Km: 235 

Calendário para o Mês de Maio

  • 1 - Corrida do 1º de Maio (Lisboa) - 15 Km
  • 8 - Trail Castelo de Abrantes - 15/35 Km
  • 8 - Meia Maratona de Setúbal - 21,0975 Km
  • 14 - UTSM (Portalegre) - 100 Km
  • 29 - Corrida de Belém
publicado por Carlos M Gonçalves às 23:55

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