Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

TRAIL BUCELAS/AVENTURA

O que fazia, neste fim-de-semana carnavalesco, um atleta das LEBRES E TARTARUGAS sozinho no Trail de Bucelas quando os seus companheiros de equipa participavam na tradicional prova dos 20 Kms de Cascais? Certamente que o desejo de abraçar novos desafios. E porque razão o deixaram desprotegido e à mercê de uma qualquer LEBRE trailista que marcasse presença na prova de Bucelas?

 

A corrida está na moda. Este é um “slogan” muito repetido nos últimos anos. E o “Trail Running” começa a “desviar” muitos dos atletas que tradicionalmente se inscreviam em provas de estrada de cariz essencialmente popular. Como dizia neste fim-de-semana em Bucelas um atleta nosso amigo, nas corridas de estrada “andamos sempre na Red Line. Não temos tempo para disfrutar a corrida e a paisagem, estando mais preocupados na quebra de recordes”. E é por este pequeno/grande detalhe que cada vez mais os chamados atletas populares começam a optar por trocar o alcatrão pelos trilhos, com todos os percalços que habitualmente surgem pela frente.

 

Quando estava a tratar das inscrições da nossa equipa para os 20 Km de Cascais o Tartaruga Carlos Gonçalves descobriu o Trail de Bucelas e não pensou duas vezes. De imediato decidiu regressar a um local de boa memória onde participou numa das mais belas provas de Trail e que se realizou na Noite das Bruxas de 2015.

 

A corrida estava marcada para as nove horas da manhã, sendo antecedida pela habitual recepção e “briefing” aos atletas. Assim este atleta decidiu dispensar o descanso extra propiciado por um fim-de-semana e acertou o despertador para as seis horas da matina como se se tratasse de um dia normal de trabalho. Uma prova de “Trail” exige outros preparativos como sejam a organização do “kit de sobrevivência”, constituído por Mochila do tipo Camel Bak com reservatório de água, suplementos alimentares e energéticos, e equipamento de substituição para o caso de chegar ao fim completamente enlameado (o que na realidade veio a acontecer). E como o desgaste iria ser maior o pequeno-almoço também deveria ser mais reforçado.

 

A chegada a Bucelas fez-se sem percalços. A pouco mais de cinquenta quilómetros de sua casa as estimativas apontavam para uma viagem curta com uma duração aproximada de quarenta minutos. É bom chegar cedo, encontrar um lugar para o carro, e, tranquilamente, ir à procura do local de funcionamento do Secretariado para levantamento do seu dorsal. Eram oito de manhã e já o atleta descansava dentro da sua viatura. Ao som da Antena 3, dava os últimos retoques no seu equipamento e verificava que nada lhe faltava. E tinha margem de manobra para as habituais idas a uma casa de banho para se libertar de líquidos extras …

 

Uma primeira ida à zona da partida para sentir o pulsar da prova e aferir o grau de participação de atletas neste Trail às portas de Lisboa. O movimento era bastante grande e perturbador da habitual calma reinante nesta freguesia de Loures. Em provas de montanha, e quando a participação feminina se faz sentir em maior grau, o colorido invade as ruas. Os “trailistas” têm um equipamento muito particular, desde as meias/perneiras de compressão até aos impermeáveis corta-ventos, em cores berrantes e visíveis mesmo em condições de fraca luminosidade.

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O reencontro com um atleta de outras provas serve para registar a presença do Tartaruga numa terra onde o Vinho é um grande símbolo.

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À hora certa é feita a contagem decrescente para o início da corrida. O primeiro quilómetro, ainda em alcatrão, é feito sempre a subir. Passados cerca de 450 metros faz-se sentir a presença de alguns chuviscos coincidindo com a entrada, finalmente, em terra batida. À medida que vamos avançando uns continuam a correr enquanto que outros, talvez a pouparem-se para o que aí vem, alternam entre a corrida e o passo acelerado.

 

Os quilómetros vão-se sucedendo. E como as provas de montanha são tão belas. Umas vezes a subir e outras a descer vamos alternando de posições classificativas (isso existe em corridas de montanha?). Umas atletas chamam a atenção pelas suas saias coloridas e feitas de fitinhas de fino papel brilhante a lembrar o Carnaval. “Podemos sujar os sapatos e as meias. Só não podemos é sujar as nossas saias”, dizia uma delas.

 

Por volta dos sete quilómetros encontramos o primeiro abastecimento. Os atletas mais atrasados conseguem, momentaneamente, alcançar os mais adiantados. Mas por pouco tempo. E, como mais à frente iremos comprovar, cada ponto de abastecimento está sempre localizado antes de uma subida mais exigente.

 

A lama começa a dar os seus primeiros sinais. E também começamos a disfrutar de novas emoções. Pela frente teremos de atravessar duas ribeiras com o auxílio de cordas, elementos essenciais para não cairmos. E quem quisesse ultrapassar estes obstáculos sem molhar os pés o melhor era ter ficado em casa.

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Estamos sensivelmente a meio da prova e lembramo-nos, para quem conhece, os Trilhos do Almourol. O sinal de Perigo surge pela primeira vez avisando-nos de que na descida que temos pela frente todo o cuidado é pouco. Olhando para a frente e para cima vemos um serpenteado de atletas monte acima. Só que não nos apercebemos do que realmente nos espera. Uma subida íngreme quanto baste e normal para uma prova de “Trail”. Pois. Só que pior do que o declive temos a lama como maior obstáculo. A partir de certa altura vale tudo. Tentamos encaixar os pés nos socalcos deixados pelos atletas que nos precederam. Mesmo assim a tracção começa a faltar. Deita-se a mão a algum ramo que sirva de bastão e que ajude naquela subida interminável. De vez em quando olha-se para cima e só se vez lama e mais lama. A certa altura, quando o piso parece escorregar sob os nossos pés, a maior preocupação não é tanto subir mas evitar deslizar por ali abaixo. Agarramo-nos a toda a vegetação existente em redor. Uns breves segundos de descanso e tentamos retomar a nossa caminhada.

 

Subitamente o “Black”, um Labrador com o qual nos tínhamos já cruzado nos primeiros quilómetros, passa por nós com uma ligeireza tremenda no meio daquele imenso lamaçal que nos faz desejar ser, pelo menos uma vez na vida, um cão. A tracção total faz a sua diferença. E do Black nunca mais vimos sinais. Finalmente atingimos o topo. Um pequeno cartaz, com um “smile”, dá-nos os parabéns pelo nosso feito. Conscientes de termos ultrapassado o pior bocado enfrentamos o que nos resta de “peito feito”.

 

Aos dezassete quilómetros temos o terceiro abastecimento. Estrategicamente montado antes da última subida, como alguém muito a propósito refere. Se bem que as energias já não sejam as mesmas, atacamos esta fase conscientes de que pouco nos falta. Lá em cima avistamos alguns geradores eólicos. A andar, porque as forças já não abundam, vencemos o último obstáculo. Mas nem sempre podemos descansar numa descida, ainda por cima quando, em determinado ponto, encontramos uma árvore forrada com espuma. Será para amortecer algum atleta que possa perder o controlo na descida?

 

Finalmente reentramos no alcatrão. São só mais quatrocentos metros até à meta. De volta ao local da partida, e ao som da entrega dos prémios para os melhores classificados, um grupo de atletas conclui a sua prova. Para a posteridade fica registado o estado lastimoso com que o único representante das LEBRES E TARTARUGAS terminou o Trail de Bucelas. Apenas teve de pedir a uma atleta para registar esse momento com o seu telemóvel.

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Depois de cumpridos alguns, possíveis, alongamentos musculares, era altura de regressar a casa. Volto a reencontrar o símbolo vínico da Região de Bucelas. É tempo de registar o momento final do “depois” da corrida. O nosso isolado atleta olha em redor à procura de alguém que se disponha a uma fotografia final. Encontra duas atletas mascaradas que, sem qualquer hesitação, acedem ao pedido do desgastado, mas feliz, Tartaruga. “Estávamos mesmo à procura de alguém que nos tirasse uma fotografia com o nosso telemóvel”, diz uma delas. Meu dito, meu feito. Um favor paga-se com outro favor.

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E também me autorizam a tirar uma fotografia delas para o nosso blogue.

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É de fazer inveja aos restantes Tartarugas que ficaram por Cascais.

 

Atletas que concluiram a prova: 479

Vencedor: FÁBIO FONTOURA (A Minha Corrida/Kalenji) - 1:37:29

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº 388)

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Classificação Geral: 414º - Classificação no Escalão M60: ND

Tempo Oficial: 3:32:51/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 3:32:40

Tempo médio/Km: 10m:08s  <=> Velocidade média: 5,92Km/h (*)

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Calendário para o Mês de Fevereiro

  • 7 - Trail de Bucelas (Bucelas) - 21 Km
  • 7 - 20 Kms de Cascais (Cascais) - 20 Km
  • 14 - Corrida da Árvore (Lisboa/Monsanto) - 10 Km
  • 28 - Rota da Fonte da Pipa (Torres Vedras) - 12 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 01:10

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