Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

Rock'n'Roll LISBOA Maratona

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São seis e um quarto da manhã . O despertador toca cruelmente para quem se deitou há escassas cinco horas. Que não foram todas de sono profundo e retemperador. No momento em que sou acordado pelo irritante mas abençoado alarme do meu rádio despertador não penso sequer “só mais cinco minutos” como tantas vezes acontece, e salto da cama, rápida mas suavemente para não acordar a minha companhia de leito. Tinha de equipar-me, tomar o pequeno almoço e preparar todo o meu equipamento para a Maratona de Lisboa. E às sete e um quarto tinha encontro marcado em Odivelas com o outro Tartaruga de serviço para rumarmos a Cascais. Faltam cinco minutos para as sete da manhã e preparo-me para sair de casa. A chuva começa a cair abundantemente sem qualquer aparência de poder parar. Ainda vou a tempo de ir buscar um plástico que me deram na Corrida de São Silvestre de Lisboa e que poderia ser um precioso auxiliar para me proteger da chuva e do frio que me aguardariam em Cascais durante aqueles longos minutos que antecedem a partida. E como a manta plástica era suficientemente grande talvez desse para nós os dois nos protegermos. Mas não muito agarradinhos … entenda-se. Vou também à procura da bolsa de braço do meu telemóvel. Depois de procura incessante, mas sem qualquer resultado, decido fazer-me à estrada ao encontro do outro atleta TARTARUGA. Já são sete e cinco e com a carga de água que se abate, juntamente com os pequenos lagos de água que vou encontrando pelo caminho, é certo e sabido que não vou chegar a horas. Mas como tínhamos alguma margem de manobra, e não havendo necessidade de nos preocuparmos com o estacionamento da viatura, era preferível ir mais devagar mas em segurança. Sete e vinte estou em plena Radial de Benfica e recebo a chamada do meu companheiro de luta: “Então desististe com a chuva? (risos sádicos e provocatórios ouvem-se bem lá no fundo). “Estou a entrar na CRIL. São só mais cinco minutos”.

 

Finalmente chego a Odivelas onde o meu parceiro de corrida me aguarda já dentro do seu carro. É só encontrar um lugar para estacionar e seguir viagem. O único lugar disponível é bastante apertado mas lá consigo enfiar o meu NISSAN. Só quando regressei mais tarde é que verifiquei que parecia que o carro tinha sido lá posto com o auxílio de uma grua tão diminuto que era o espaço disponível.

 

Finalmente chega o tão aguardado domingo deste primeiro inteiro mês de Outono. Mais uma Maratona se perfila para estes atletas. Ainda que já não sejam estreantes nesta mítica distância há sempre algum nervoso por trás de mais uma grande aventura. Carlos Teixeira e Carlos Gonçalves são os maratonistas de serviço para inscrever o nome das LEBRES E TARTARUGAS em mais uma maratona com que tantos sonham mas a que poucos se abalançam. O outro TARTARTUGA maratonista optou desta vez pela Meia Maratona na companhia de outro membro efectivo da nossa equipa. Frederico e João Valério levaram a bandeira das LEBRES E TARTARUGAS para a Ponte Vasco da Gama, local de partida da Meia Maratona. Estávamos assim representados, e bem, em duas frentes.

 

As previsões meteorológicas não reservam nada de bom aguardando-se uma pequena tempestade para esta manhã de domingo na zona da Grande Lisboa. Já nos tínhamos mentalizado para uma prova dura de roer, não só pela distância mas também pela envolvente meteorológica. Pelo caminho na A5 vislumbramos algumas “abertas” que nos queriam fazer acreditar que o S. Pedro nos daria algumas tréguas. Mas previsões são previsões e normalmente não falham, principalmente quando não são as mais animadoras.

 

Chegados a Cascais, e antes que a chuva começasse a desabar sobre as nossas cabeças, temos tempo para a fotografia da ordem.

WP_20151018_08_01_57_Pro.jpg

A nossa motorista de serviço regressa a casa para mais tarde nos recolher já no Parque das Nações. Chegámos com cerca de vinte minutos de avanço relativamente à hora da partida. Os atletas são encaminhados para o compartimento condizente com o tempo que têm no dorsal. O dorsal do Carlos Gonçalves indicava -4,30h devendo entrar numa zona sensivelmente a meio. O Carlos Teixeira, como não tinha indicado qualquer tempo no seun dorsal, foi encaminhado para o fim da fila. Mas como viemos juntos então juntos partiríamos. E lá fomos até à última entrada. Antes tivemos ainda a presença de um aguaceiro que se abateu forte e com forte ventania. Mal imaginávamos nós que seria a sua última presença.

 

O colorido e a animação são os habituais neste tipo de provas. Alguns até trajavam a rigor com roupas e bandeiras das cores nacionais de Portugal. E, pasme-se, um destes atletas disfarçados calçava uma “croques” verdes envoltas em bandeiras portuguesas. Será que conseguiria fazer toda a maratona com aquele calçado que não parecia ser o mais apropriado para uma corrida qualquer quanto mais para uma distância de mais de quarenta e dois quilómetros? Não o sabemos pois nunca mais vimos aquele par de atletas.

 

Mas também habitual foi o de, uma vez mais, as organizações lusas terem uma predilecção, e por que não dizer um “fetiche”, em não respeitarem a hora marcada para a partida. Sem qualquer causa aparente mais uma vez a prova começou atrasada. Será um pretenso motivo de atracção principalmente para os muitos atletas estrangeiros que habitualmente correm a nossa Maratona? Não sabemos e provavelmente nunca o saberemos.

 

Uma Maratona são longos quarenta e dois quilómetros e cento e noventa e cinco metros. Como já li algures o nosso organismo não está fisiologicamente preparado para correr uma distância tão grande. Por isso é necessária uma preparação mais cuidada tanto a nível físico como psicológico. E com um percurso maioritariamente plano é sempre a puxar.

 

Sem novidades face à edição de 2014 regista-se a grande quantidade de abastecimentos ao longo de todo o percurso. Sensivelmente de três em três quilómetros tínhamos água em abundância à nossa disposição. E por falar em água não me estou a referir àquela que muito provavelmente deveria cair do céu. Sim porque desta vez as previsões meteorológicas falharam. E até foi em nosso benefício. Da chuva nem sinal. O Sol manteve-se por trás das núvens dando algum descanso aos que sofrem com o calor. E o vento, que esperaríamos ao longo da marginal, quando apareceu até soprou pelas nossas costas dando-nos uma “mãozinha amiga”. Tivemos o tempo ideal. Só o Frederico é que discordou dizendo-nos que achou que estava um pouco calor.

 

Já na 24 de Julho encontro o Fernando Favinha, um nosso "velho" amigo e colega praticante de Badminton. Para ele a prova até estava a correr dentro da normalidade. O ritmo já não era o mesmo do início. E, como bem referiu, até conseguiríamos passar a marca dos trinta quilómetros abaixo das três horas. Mantendo a mesma cadência chegaríamos aos quarenta quilómetros antes das quatro horas. O pior eram aqueles malfadados dois quilómetros, sem contar com os cento e noventa e cinco metros, que nos iriam trair na nossa ambição de baixar o objectivo simbólico das quatro horas. Entre os quilómetros trinta e cinco e trinta e sete dá-se alguma quebra nos nossos atletas. Seria o fantasma do denominado “Muro da Maratona”? A passagem pelo Rossio e o encontro mais à frente com os atletas da Meia Maratona provoca um abrandamento no nosso ritmo de corrida. É nesta fase que as pernas parecem querer andar para trás. Mas é neste preciso momento que se revela a alma dos Maratonistas. Até podemos colocar de lado os nossos objectivos em termos de tempo de prova que tínhamos estabelecido como a meta a alcançar. Agora desistir NUNCA.

 

Faltam dois quilómetros quando entramos no Parque das Nações. São necessariamente dois longos e penosos quilómetros. Mas vamos buscar forças e ânimo onde parecia já não existirem. Lá bem no fundo ainda temos algumas reservas. À entrada na Alameda dos Oceanos vislumbramos a meta. O Piso em empedrado não ajuda. Mas queremos lá saber disso. Bem ali mesmo à nossa frente está o fim da nossa sétima maratona. Acima de tudo foi a nossa, mais uma, grande vitória.

 

Feita a recuperação possível os dois Tartarugas reencontram o seu amigo Favinha. Aliás o Fernando Favinha já é também uma presença habitual com quem confraternizamos e partilhamos as nossas alegrias e as nossas mazelas de natureza desportiva. Como dizia um antigo colega, e já na altura a estudar Medicina, quando chegarmos a velhos teremos um Coração Forte mas com as articulações tremendamente frágeis. A ver vamos.

 

E como prova das LEBRES E TARTARUGAS sem qualquer peripécia não tem tanto interesse estava guardado para o final o momento mais “nonsense” da nossa Maratona. Dentro do Parque de Estacionamento quando o Carlos Gonçalves trocava de camisola e arrumava a sua mochila a Condutora de Serviço decidiu arrancar deixando para trás este atleta e com a bagageira e uma porta traseira abertas. Também só andou poucos metros pois um grito de alarme do especado atleta surtiu efeito e o carro parou um pouco mais à frente. Ultrapassado este primeiro acto o Carlos Gonçalves entra dentro da viatura, acomoda-se como pode (as cãibras davam sinais de o quererem importunar), e dá o sinal de partida. Mais meia dúzia de metros é altura de outros atletas nos darem um berro dado que estávamos com a tampa da bagageira aberta. Finalmente e com tudo em ordem regressamos a Odivelas sem mais algum incidente.

 

Durante o caminho ainda nos liga o Frederico. Tínhamos combinado um reencontro no final das duas provas. Porém a confusão era tal que que o almejado encontro não foi possível. E cada grupo seguiu à sua vida.

 

Contrariando todas as indicações estes dois atletas voltarão a entrar em cena dentro de três semanas participando mais uma Maratona desta vez na Cidade do Porto. Esta prova estará para sempre guardada nossas memórias e nos nossos Corações pois foi aqui que cada um se estreou e concluiu logo à primeira vez uma Maratona. Só é pena que num País como o nosso apenas existam actualmente duas Maratonas e num curto período de um mês.

 

Atletas que concluiram a prova: 3817

Vencedor: ASBEL KIPSANG(Quénia) - 2:09:25

 

CARLOS TEIXEIRA (Dorsal Nº3725)

Classificação Geral: 1810º - Classificação no Escalão M55: 94º

Tempo Oficial: 4:07:31/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 4:02:38

Tempo médio/Km: 5m:45s <=> Velocidade média: 10,43 Km/h(*)

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº2252)

Classificação Geral: 2050º - Classificação no Escalão M55: 115º

Tempo Oficial: 4:13:36/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 4:08:43

Tempo médio/Km: 5m:54s <=> Velocidade média: 10,18 Km/h(*)

  

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Corridas do Mês de Outubro

  • 3 - Corrida da Água (Lisboa/Monsanto) - 10 Km
  • 11 - Corrida do Sporting (Lisboa) - 10 Km
  • 18 - Rock'n'Roll Lisboa Maratona (Cascais/Lisboa) - 42,195 Km
  • 18 - Rock'n'Roll Lisboa Meia Maratona  (Lisboa) - 21,0975 Km
  • 25 - Corrida do Montepio (Lisboa) - 10 Km
  • 31 - Trail Nocturno de Bucelas - 15 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 23:55

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