Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015

MEIA MARATONA DOS DESCOBRIMENTOS

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Não são só as compras de Natal que trazem uma azáfama acrescida à nossa vida nesta parte final do ano. Também no desporto, particularmente no admirável mundo do “running”, o mês de Dezembro é pródigo em corridas de cariz mais popular mas às quais também se juntam atletas de competição. No último trimestre do ano concentra-se uma série de corridas tornando-o no bastante profícuo em termos de oferta e dificultando ao máximo a nossa escolha. Para os mais distraídos, e para aqueles ou aquelas que só agora despertaram para este novo modo de lazer, é nestes três meses que se disputam as duas únicas Maratonas em Portugal Continental. Em Outubro temos a Maratona de Lisboa e, passadas três ou quatro semanas, temos idêntica dose na cidade do Porto. E temos ainda a eterna Meia Maratona da Nazaré que, por ter sido a pioneira nesta distância em Portugal, entrou já há alguns anos na curva descendente. Quem estuda Marketing conhece sobejamente o Ciclo de Vida do Produto. É praticamente uma lei que se aplica a tudo na vida, mesmo à nossa própria existência. Após uma fase inicial de Crescimento bastante rápido segue-se a Maturidade após o que se inicia o declínio, momento este que deve ser acompanhado por uma substituição ou reformulação do produto. É neste ponto que se encontra a Meia Maratona da Nazaré. Urgentemente à espera de uma reformulação, se nada for feito agonizará e morrerá inexoravelmente logo que os “carolas”, que lutam teimosamente pela sua manutenção, desistam ou partam para outra.

 

E em Dezembro a cidade de Lisboa abre as portas à sua terceira Meia Maratona, denominada de Meia Maratona dos Descobrimentos. É uma distância cada vez com mais adeptos, porventura por muitos dos que ambicionam a correrem um dia uma Maratona.

 

Beneficiando de um percurso praticamente todo plano a única dificuldade é o ser de “ida e volta” com o peso, principalmente ao nível psicológico, de passarmos duas vezes pelos mesmos lugares mas em sentido contrário. Mas também já estamos habituados a esta característica existente em outras provas que se realizam nesta cidade.

 

Sendo a partida e a chegada no mesmo sítio facilita bastante a logística dos atletas. A romaria às imediações dos Jerónimos começa bem cedo. Há que encontrar um lugar para o carro, o mais perto possível da Partida e da Chegada. Mas esse mesmo lugar também tem de ser suficientemente afastado da confusão para permitir uma saída rápida e sem problemas de maior após os atletas concluirem a sua prova. E para os mais prudentes não há nada como utilizar os transportes públicos para se chegar calmamente e sem sobressaltos ao local de início das hostilidades.

 

Os Tartarugas optaram por manter como ponto de encontro a casa do Frederico, a escassos dez minutos de distância da zona dos Jerónimos.

 

Às oito e quarenta e oito o Frederico recolhia o Carlos Gonçalves na Estação de Comboios de Campolide. De regresso ao Restelo estes dois atletas só tinham de aguardar pelo Carlos Catela que chegaria por volta das nove e meia. Como já tínhamos os dorsais em nossa posse, trinta minutos chegavam e sobravam para nos deslocarmos até à Partida. E até podíamos, devíamos, aproveitar este curto passeio matinal para o aconselhável, e tantas vezes menosprezado, aquecimento dos músculos e das engrenagens. Ao longo deste trajecto o Frederico apelava, de vez em quando, a um abrandamento no já de si brando passo de corrida. Uma coisa é aquecer outra é gastar desnecessariamente algumas energias que poderiam fazer falta lá mais para a frente.

 

Faltavam dez minutos quando a equipa das LEBRES E TARTARUGAS chega às imediações da “manga de partida”. A confusão era a habitual. Antes de nós já tinham partido os atletas dos dez quilómetros o que serviu para descongestionar um pouco esta zona. Bem pensado. Às dez horas é dado o tiro de partida. Como nos tínhamos posicionado na rectaguarda do pelotão demoramos mais de dois minutos até passarmos pela linha da partida. E mesmo com esta decalagem não significa que pudéssemos começar logo a correr em passo acelerado. Umas escassas centenas de metros mais à frente deparamo-nos com um estrangulamento enorme motivado por obras existentes no pavimento. Uns passam pela esquerda da obra enquanto que os mais acelerados optam por um caminho alternativo. Subimos em direcção ao Estádio do Restelo e o pelotão continua bastante compacto. Quem pode, ou assim o deseja, transforma os passeios em pista alternativa. Só quando entramos na Avenida das Descobertas é que começamos a ter algum espaço de manobra. Em Algés inicia-se o longo trajecto até Santa Apolónia nas imediações da qual está instalado o ponto de retorno.

 

A equipa das LEBRES E TARTARUGAS ficou logo desfeita mal se iniciou a corrida. Cada um, com o seu ritmo e as suas aspirações, aborda a meia maratona como mais lhe convém. O tempo até ajudava. O Sol estava completamente escondido atrás de uma densa neblina e a temperatura pode-se considerar que era a ideal. Nem parece que estamos em Dezembro. Mas pelo menos a chuva e o vento frio, naturais nesta altura do ano e numa zona ribeirinha, não fizeram questão de nos fazer uma visita.

 

Ao passarmos pela zona dos Bares da 24 de Julho o ambiente era bastante calmo com os “atletas da noite” a saudarem os muitos semi-maratonistas que passavam no local. O nosso já muito bem conhecido empedrado entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço lembra-nos que nem tudo são facilidades. Nesta altura já tínhamos cumprido mais de metade da prova. Mas aquela ida até Santa Apolónia deixa as suas marcas.

 

Meia volta volver e atacamos a última longa recta até à Meta Final.

 

É nesta fase que a nossa lebre, Carlos Teixeira, sente um grande orgulho por ter ultrapassado uma eterna glória do atletismo luso, Armando Aldegalega, que, com os seus 77 anos, ainda consegue dar cartas servindo como exemplo para muitos atletas bastante mais novos e com idade para serem seus filhos, ou até mesmo netos. Não é todos os dias que se tem uma oportunidade destas. Apesar da diferença das idades há sempre algo que nos mantem muito distantes destas referências. Mas por vezes o sonho transforma-se em realidade. Só por isto o nosso amigo Catelinha já se deve sentir recompensado por ter trocado um pacato descanso dominical em casa por esta aventura.

 

Após repetirmos a passagem pela zona de diversão da 24 de Julho, o ambiente tinha-se transformado por completo. O que meia hora antes era um sítio pacato estava totalmente transfigurado, como da noite para o dia. Por desacatos entretanto havidos, ou por qualquer "rusga" premeditada, o cenário que se nos deparava era deprimente. A Polícia de Intervenção marcava forte presença. Muitos dos "habitantes da noite" estavam encostados à parede e até se viu uma arma apontada a alguém. O desporto e a degradação humana estavam à distância de uma barreira policial. "Há uma linha que separa a dignidade humana da sua perversão". E ela estava ali bem presente.

 

Fazendo um pouco por esquecer o que tinham presenciado os atletas concentravam-se na meia dúzia de quilómetros que faltavam e no modo de os ultrapassar o melhor possível.

 

Terminada a meia maratona os três Tartarugas voltam a reencontrar-se no local previamente combinado. Já recuperados regressamos a casa do Frederico. E, apesar do caminho ser predominantemente a subir, não nos custou muito. Melhor do que o descanso é a recuperação activa de um esforço prolongado e desgastante.

 

E para uma boa recuperação muscular o ideal mesmo é um banho gelado. E, à boa maneira do saudoso “Mc Gyver”, o Carlos Gonçalves teve uma ideia brilhante. Brilhante para ele que não para os seus dois companheiros. A piscina de casa do Frederico afigurava-se como uma boa opção de retemperamento. Como a água devia estar bastante fria que tal mergulhar até à cintura e aguentar lá cerca de cinco minutos? Se bem o pensou melhor o fez. Com uns calções de banho emprestados pelo Frederico este herói desafiou o frio e lá foi de peito feito até à beira da piscina. De degrau em degrau entrou lentamente naquela água a meio caminho do estado de gelada. Alguns gritos para espantar o frio e com os colegas a observarem a cena. Bem que os chamou mas sem qualquer efeito. Incrivelmente até nem custou muito. O corajoso atleta ainda pensou dar um mergulho total na piscina. Mas o medo de não conseguir sair daquela gélida água, não fossem aparecer cãibras por todos os lados, afastou os intentos mais heróicos do personagem.

 

Já fora de água, e aparentemente bem recomposto, o Carlos Gonçalves saboreava uma deliciosa limonada que a Maria João lhe tinha preparado enquanto enaltecia quão proveitoso tinha sido aquele banho. Pois…

 

Fechada esta porta outra se abre no próximo fim-de-semana. Com uma equipa bastante numerosa as LEBRES E TARTARUGAS voltam à carga. Desta vez é o Grande Prémio do Natal. Esperemos que, com uma nova organização, esta prova com quase sessenta anos de idade esteja à altura dos seus pergaminhos.

 

Atletas que concluiram a prova: 2876

Vencedor: HÉLDER GROSSO (GFD Runnning) - 1:09:41

 

FREDERICO SOUSA (Dorsal Nº1608)

Classificação Geral: 2557º - Classificação no Escalão M5054: 220º

Tempo Oficial: 2:11:17/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 2:08:37

Tempo médio/Km: 6m:06s <=> Velocidade média: 9,84Km/h(*)

 

CARLOS TEIXEIRA (Dorsal Nº1607)

Classificação Geral: 1200º - Classificação no Escalão M5559: 54º

Tempo Oficial: 1:45:32/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 1:42:52

Tempo médio/Km: 4m:53s <=> Velocidade média: 12,31Km/h(*)

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº1609)

Classificação Geral: 1800º - Classificação no Escalão M5559: 85º

Tempo Oficial: 1:54:58/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 1:52:17

Tempo médio/Km: 5m:19s <=> Velocidade média: 11,27Km/h(*)

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Calendário do Mês de Dezembro

  • 6 - Meia Maratona dos Descobrimentos (Lisboa) - 21,0975 Km
  • 13 - Grande Prémio do Natal (Lisboa) - 10 Km
  • 26 - Corrida São Silvestre (Lisboa) - 10 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 17:00

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