Sábado, 14 de Novembro de 2015

MARATONA DO PORTO

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Passadas três semanas após a realização da Maratona de Lisboa tivémos pela frente a segunda e última corrida de estrada na mesma distância disputada este ano em Portugal. É certo que estamos num País pequeno. Mas será que não há espaço para, no mínimo, mais uma ou duas Maratonas neste cantinho “onde a Terra termina e o Mar começa”? Dizem os mais conformados que o nosso clima, com uma temperatura média bem alta, não propicia a realização de mais provas de longa distância, sem que o calor aperte em demasia , etc., etc., etc. …

 

Mas, se largarmos o asfalto, alguém sabe ao certo quantas Maratonas e Ultra Maratonas de Montanha ou de “Trail” se realizam todos os anos em Portugal? E que este número tem vindo a crescer ano após ano? E que o estafado argumento do calor que poderá afectar os maratonistas aqui já não se coloca? E, para os mais distraídos, relembro que é em Julho que se disputa todos os anos uma das mais duras, senão mesmo a mais desgastante, Ultra Maratona Melides/Tróia na qual os atletas, quais verdadeiros heróis da sobrevivência, são chamados a cumprir quarenta e três quilómetros sem qualquer sombra e, ainda por cima, em areia? É, provavelmente, a mais exigente maratona não só no domínio físico mas, principalmente, no aspecto psicológico. E ninguém apresenta como desculpa o calor. E quantas Ultra-Maratonas, com distâncias de cinquenta, setenta, cem e muitos mais quilómetros se realizam em Portugal ao longo de cada ano? Este é um mercado desportivo em expansão.

 

Será que ainda há desculpas para que ninguém se abalance a pôr de pé mais uma ou duas Maratonas de Estrada e que não caiam invariavelmente no último trimestre?

 

Findo este intróito debrucemo-nos então sobre a 12ª Maratona do Porto.

 

A Maratona do Porto tem sido habitualmente indicada como a melhor prova para quem se atreve a desafiar a mítica distância das corridas de fundo. O percurso relativamente fácil, agradável, e com um apoio popular espectacular, tornam esta prova como a mais apetecida para os principiantes.

 

A Maratona do Porto tem um lugar muito importante no currículo dos dois Carlos – Gonçalves e Teixeira – pois foi aqui que ambos se atreveram pela primeira vez a abraçar o desafio de cumprir uma Maratona de Estrada. E foi com tal sucesso que repetiram igual dose na Maratona de Lisboa. E, supremo desafio, temos contrariado aquela velha máxima de que um atleta não deve correr duas Maratonas num período de tempo inferior a seis meses. Pois no nosso caso têm sido duas Maratonas espaçadas por cerca de três a quatro semanas. No passado fim de semana completámos a nossa oitava Maratona de Estrada tendo como próxima meta atingirmos o bonito e redondo número de dez.

 

O S. Pedro tem sido nosso amigo nas Maratonas e reservou-nos um domingo bastante ameno sem chuva e com Sol em fartura. Nem pareceu que estávamos em Novembro com temperaturas a rondar os vinte e dois graus. Alguns falam no Verão de S. Martinho que habitualmente dá um abanão nas condições meteorológicas próprias para um mês em pleno Outono. No entanto nunca costumamos ter temperaturas desta ordem e bem consentâneas com uma Primavera já um pouco avançada e a cheirar a Verão. Foi bom mas lá que não é normal não é.

 

A edição de 2015 continha algumas alterações importantes. A começar pelo local de partida que foi desviado da zona do Palácio de Cristal, a meia distância da Praça da Boavista, sendo agora implantado dentro do Parque da Cidade. Pareceu-nos uma decisão acertada tantos em termos logísticos como de beleza do local. Em contrapartida a organização falhou ao juntar as partidas da Maratona e da Family Race no mesmo local e à mesma hora.

20151108_085615.jpg

Gerou-se logo ali um engarrafamento monumental que condicionou fortemente o início da prova. Os primeiros quilómetros, com incursão pelas ruas de Matosinhos, provocaram um desgaste desnecessário e inabitual nos atletas que cedo viram os seus objectivos de tempo ficarem logo pelo caminho.

 

“No melhor Pano cai a Nódoa”.

 

Mais cedo do que o habitual a maioria dos participantes começou a ceder devido ao esforço inicial. Com os primeiros quilómetros muito lentos foram despendidas energias suplementares para recuperar o nosso ritmo habitual. Com esta entrada a maioria dos atletas veio a pagar a factura bem antes do que é habitual. Mal passávamos pela marca da Meia Maratona cruzámo-nos com os primeiros classificados que já galgavam a última dezena de quilómetros para a meta. E se o líder da prova vinha em bom ritmo e aparentemente fresco, os que o precediam mostravam uns sinais de cansaço não habitual, principalmente em atletas africanos. Algo se passava de anormal. Provavelmente também eles se desgastaram mais do que é habitual na primeira parte da Maratona.

 

Na Ponte D. Luís atravessamos pela primeira vez o Rio Douro. Em direcção à Afurada começam a aparecer os primeiros sinais de que alguns atletas já não estão bem. Começam a ver-se alguns deles a andar em vez de correrem, outros param para efectuar alongamentos e acalmar as cãibras que dão os primeiros sinais. Mal ou bem chegamos ao primeiro ponto de retorno e regressamos à Ponte D. Luís. No final somos obrigados a cumprir um pequeno troço em direcção à Ponte do Freixo. Se o Carlos Gonçalves já tinha quebrado com as cãibras a impedi-lo de correr, e mesmo a andar com alguma dificuldade, é por volta do quilómetro trinta que o seu companheiro também se ressente do esforço e cede um pouco no seu ritmo. O cansaço e o desgaste eram grandes. Mas a nossa forte determinação em terminar a Maratona superou alguma ténue vontade de dar por fim a corrida.

 

Desistir NUNCA. É este o nosso lema.

 

No Túnel da Ribeira somos brindados com imagens do filme Momentos de Glória. Ao som da música de Vangelis sentimo-nos momentaneamente recuperados e como que empurrados para os últimos quilómetros. Foi o incentivo de que precisávamos. Daí para a frente somos “bombardeados” pelo apelo de muitos cartazes de incitamento aos atletas. Pode não parecer mas são estes pequenos detalhes que nos ajudam quando as pernas já querem mas é andar para trás.

 

Chegados finalmente aos quarenta quilómetros obrigam-nos a dar mais uma voltinha para cumprir quilómetros. Aquela subidinha na Avenida da Boavista foi maléfica. Pior mesmo foi a entrada no Parque da Cidade e com a Meta à vista. Parece que estamos tão perto e, afinal, estamos tão longes. Valeu uma vez mais o incitamento da Aurora Cunha a puxar pelos mais atrasados e para os quais toda a ajuda é preciosa. E quando ela vem de uma lenda viva no nosso atleta então sentimos mesmo que todo o nosso esforço e sofrimento valeram a pena. É nestes pequenos pormenores que a Maratona do Porto suplanta a de Lisboa. E este comentário é feito e corroborado pelos muitos LIsboetas habitualmente presentes.

 

O nosso desempenho situou-se muito abaixo dos objectivos traçados inicialmente. Mas terminános e isso é o que interessa.

 

Dá-se o reencontro dos atletas com a sua claque de apoio. O Carlos Catela tinha chegado dentro das previsões mas com alguma margem de erro (mais de vinte minutos do que tinha conseguido em 2014). O Carlos Gonçalves é que foi a grande preocupação de todos. Para quem tinha fixado como objectivo um tempo na casa das quatro horas pulverizou essa marca mas para pior. Ultrapassou mesmo as cinco horas. A preocupação tinha-se instalado em toda a equipa porque nunca mais chegava nem respondia à chamadas para o telemóvel. Felizmente que tudo acabou em bem.

 

Já depois de recuperados (a imperial deu uma preciosa ajuda), e quando nos dispomos a regressar a casa, não podemos deixar de registar para a posteridade a celebração da conclusão da nossa oitava Maratona. E nada melhor do que termos por companhia o nosso futuro Maratonista Afonso. Mas como ainda não se consegue aguentar de pé contamos também com a colaboração da Mãe Catarina.

20151108_143315.jpg

E se para o Afonso ainda é cedo para pensar em Maratonas já ficou lançado o desafio ao Pai Pedro.

 

Com grande pena nossa sentimos alguma frustração por se ter estragado um percurso que nos era muito querido. Mas não é por isso que deixaremos de repetir a presença em 2016 e, se possível, com uma equipa mais alargada.

 

Atletas que concluiram a prova: 4402

Vencedor: GILBERT YEGON KOECH (Quénia) - 2:14:04

 

CARLOS TEIXEIRA (Dorsal Nº3044)

Classificação Geral: 2798º - Classificação no Escalão M55: 137º

Tempo Oficial: 4:22:15/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 4:19:00

Tempo médio/Km: 6m:08s <=> Velocidade média: 9,77Km/h(*)

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº3043)

Classificação Geral: 4227º - Classificação no Escalão M55: 209º

Tempo Oficial: 5:19:09/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 5:15:54

Tempo médio/Km: 7m:29s <=> Velocidade média: 8,01Km/h(*)

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Corridas do Mês de Novembro

  • 8 - Corrida Farmacêutica (Lisboa) - 10 Km
  • 8 - Maratona do Porto - 42,195 Km
  • 14 - Trail de Ferreira do Zêzere (F. Zêzere) - 20 Km/35 Km => Não participámos
  • 15 - Corrida das Castanhas (Lisboa) - 10 Km
  • 22 - Corrida D. Dinis (Odivelas) - 10 Km
  • 29 - Grande Prémio de Atletismo da Mendiga  - 15,7 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 09:28

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1 comentário:
De apostas desportivas betclic a 16 de Novembro de 2015 às 21:53
E a tendência é a cada ano aumentar o número de maratonas/ultra maratonas. Está na "moda"!

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