Sábado, 27 de Junho de 2015

LISBON ECO MARATHON

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Uma prova a não perder.

 

Não é normal que uma corrida com apenas três anos de vida assuma já um lugar de referência no muito preenchido calendário do chamado “atletismo popular” e numa altura do ano em que as provas se sobrepõem e dificultam a escolha dos atletas.

 

Em 2013 a Sportscience, entidade organizadora da Corrida do Fim da Europa, lançou um apelo à participação numa Maratona original e tendo como principal “leit motiv” uma acção humanitária de angariação de fundos para uma organização de apoio a jovens desfavorecidos. E, cumulativamente, esta prova sustentava-se num apelo à preservação do ambiente de um local assumido como o pulmão de cidade de Lisboa.

 

A Lisbon Eco Marathon é um “três em um”:

 

  • Uma Maratona completa com a distância exacta de 42 quilómetros e 195 metros
  • Uma prova de montanha, maioritariamente realizada nas profundezas da Serra de Monsanto, com desnível acumulado próprio de uma corrida de trail mas sem as dificuldades inerentes em termos de vencimento dos obstáculos típicos dos trilhos
  • Prova de auto-suficiência e de orientação nocturna para a qual cada atleta é responsável por si próprio

Além de todos estes ingredientes a Lisbon Eco Marathon dá ainda a oportunidade a todos de conhecer um pequeno paraíso às portas da cidade de Lisboa que anteriormente apenas estava ao alcance dos cavaleiros que percorriam os inúmeros caminhos que desventram a Serra do Monsanto. Mais tarde estes caminhos foram descobertos pelos praticantes de BTT. Agora chegou a vez dos atletas e dos caminheiros.

 

A equipa das LEBRES E TARTARUGAS continua a ser uma das totalistas da Lisbon Eco Marathon. E mais difícil ainda, tendo em consideração o historial do nosso grupo no passado mais recente, pela terceira vez os três amigos fundadores voltaram a participar conjuntamente nesta maratona tão singular e que se realiza às portas da grande capital do nosso querido Portugal.

 

Há dois anos a Lisbon Eco Marathon deu o tiro de partida num dos dias mais quentes do ano, senão mesmo o mais tórrido de 2013. Por isso a organização atrasou em mais de uma hora a prova para que a mesma começasse com uma temperatura um pouco mais decente. Estávamos em pleno mês de Julho pelo que não seria de estranhar a canícula que então se abateu sobre Lisboa. Em 2014, mesmo às portas do começo do Verão, a temperatura foi mais amena não tendo, por essa via, dado grandes preocupações aos atletas.

 

Prevendo que este ano voltássemos a ter uma temperatura elevada a organização considerou logo a hipótese de atraso da partida em pelo menos uma hora caso a temperatura, às 18 horas, ultrapassasse os 27 graus.

 

No entanto, mesmo com os termómetros a marcarem mais do que aquele valor, optou-se por manter a hora de início da competição.

 

Às cinco e meia da tarde era o “briefing”.

IMG_3502.jpg

A equipa das LEBRES E TARTARUGAS apresentou-se reforçada por dois elementos mais novos e, por sinal, ambos estreantes numa Maratona. O Bartolomeu e o Georg, o nosso “Flying German”, desafiavam uma distância nunca antes corrida, ainda por cima em montanha, e com um desnível bem mais acentuado do que o de uma Maratona de Estrada.

 

A habitual pose para a fotografia foi ainda enriquecida com o nosso mais novo membro (assim o esperamos), Afonso de seu nome.

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Assim às seis da tarde em ponto é dado o sinal de partida. Sabíamos por experiência dos anos anteriores que os primeiros dois quilómetros e meio seriam terríveis com uma subida bem íngreme até ao ponto mais alto da Serra e onde se encontra o Estabelecimento Prisional de Monsanto. Portanto, e como neste primeiro troço não havia praticamente sombras, tínhamos de nos pouparmos se quiséssemos ter energia para lá mais à frente.

 

Basicamente o percurso era o mesmo do das edições anteriores.

 

O facto de partirmos mais cedo do que em anos anteriores proporcionou-nos realizar uma parte considerável da corrida com luz do dia sem ser necessário recorrer tanto tempo à lanterna frontal obrigatória. Mas atenção que este é um dos aliciantes da prova.

 

Por se esperar uma temperatura alta ao longo de toda a prova a organização mimou-nos com vários abastecimentos de líquidos ao longo de toda a corrida. Água não faltou.

 

Num grupo de cinco atletas com idades e preparações diferentes é natural que cedo a nossa equipa se comece a desmembrar. Todos estávamos profundamente empenhados em levar a cabo esta aventura. Mas o Georg transbordava de alegria pelo ambiente em que estava imerso. Mesmo nas subidas mais exigentes ia sempre com um ar bem disposto.

 

Quem já tinha participado nas edições anteriores já conhecia o percurso podendo melhor dosear o esforço e preparar-se psicologicamente para as dificuldades que iria ter pela frente.

 

Depois de várias voltas dentro da Serra de Monsanto, e já ultrapassado o percurso de ida e volta nas traseiras do antigo Aquaparque, aguardam-nos cerca de onze quilómetros até à Meta instalada no alto do Parque Eduardo VII.

 

Alguns Tartarugas cruzam-se e trocam acenos e alertas para falhas de sinalização do percurso.

 

Numa derradeira sequência de “sobe e desce” aproximamo-nos do ponto em que deixamos definitivamente para trás a Serra de Monsanto. Em Pina Manique, e após passarmos a Embaixada do México, temos o último abastecimento de água. É tempo de enfrentar os seis últimos quilómetros ao longo da ciclovia que nos conduzirá até ao fim. Pode ser uma ideia errada mas há quem considere estes seis mil metros como a parte mais dura de toda a prova. O piso é bom, praticamente todo plano até à zona de Campolide. Mas é tão árido, com grandes rectas, e sem qualquer motivo de interesse, que quase leva ao desespero. Mas se já aguentámos tantas dificuldades não é aqui que vamos desistir. É a altura dos atletas revelarem a sua força interior. Sim porque no exterior pouca força já temos nas pernas.

 

Uns fizeram melhor do que no ano passado. Outros nem por isso. O Bartolomeu, mesmo já um pouco estoirado, completou a sua primeira Maratona. O Frederico esse não terminou porque não o deixaram por já ter ultrapassado o tempo limite da prova.

 

Agora o Georg foi um caso à parte. Concluiu a sua primeira Maratona, ainda por cima em montanha, e com um espectacular tempo de quatro horas e quarenta e nove minutos. Uma força da natureza. Mas é também uma força da boa disposição. Todo ele transbordava felicidade. Estava completamente encantado, mesmo até com a elevada temperatura que para ele, alemão que é, não causou grande mossa. E a corrida à noite foi divinal.

 

O Bartolomeu, esgotado que estava, “bazou” mal terminou a prova. Só queria apanhar um Táxi e ir rapidamente para casa.

 

Como o Frederico não chegava, e acabou por não chegar, os três Tartarugas resistentes registaram para a posteridade a sua presença em mais uma Lisbon Eco Marathon.

IMG_3564.jpg

A edição de 2015 fica marcada pela deficiente marcação do percurso. De dia tínhamos alguma dificuldade em encontrar o caminho correcto pois, ainda sem as luzes das nossas lanternas a iluminarem os autocolantes reflectores colocados estrategicamente ao longo do percurso, hesitámos em alguns pontos. Já com a noite a dominar o cenário envolvente, sempre que chegávamos a um cruzamento tínhamos de investigar, qual detective, quanto à opção de caminho correcta. Já perto do Heliporto, nas imediações do Hospital São Francisco Xavier, alguns atletas, entre os quais o Carlos Gonçalves, andaram um pouco “à nora” e perderam o rasto correcto arranjando um percurso alternativo.

 

Mais à frente, e sempre que chegávamos a um cruzamento, novas dúvidas tomavam de assalto o nosso espírito.

 

De uma maneira ou de outra lá conseguimos levar a bom porto a nossa tarefa.

 

Com o Georg e os dois Carlos aguardando pacientemente pela chegada do Frederico, o tempo passa sem notícias do nosso companheiro. O Carlos Gonçalves decide, com a nossa Treinadora Ana Luísa, partir à descoberta do Frederico fazendo um “rewind” aos últimos quilómetros. O Carlos Teixeira aguardava junto à meta qualquer sinal de vida do nosso companheiro.

 

Quando já tínhamos andado quase dois quilómetros eis que o Tartaruga Frederico liga para o Carlos Gonçalves dizendo que se encontrava junto ao Estádio do Casa Pia e que tinha terminado a prova.

 

O reencontro do núcleo duro das LEBRES E TARTARUGAS não vai ser possível.

 

O clã Gonçalves prepara-se para recolher o Frederico enquanto que os Teixeira regressam a casa ansiosos por terem notícias do atleta mais novo. Foi um fim épico digno de uma qualquer história que merece passar à história das LEBRES E TARTARUGAS.

 

O Federico, apesar de não ter podido concluir a sua prova não nos privou da sua versão dos acontecimentos.

 

Para nós, LEBRES E TARTARUGAS, uma corrida é mais do que isso. É um momento de convívio e de satisfação pessoal.

 

Aqui fica o registo do Frederico relativamente à sua odisseia na Lisbon Eco Marathon.

 

Atletas

 

Para os registos aqui fica um pouco o que me aconteceu. Maratona sem treino, com calor e ténis novos (só com uma corrida e um treino em cima).

 

Resultado:

 

Primeiros kms em dificuldade mas feitos à cautela. A começar a rolar a partir do 2º km. Por volta do km 4 (em descida) vejo uma raposa calmamente na berma da estrada. Ainda pensei em tirar um fotografia mas não deu tempo. Por volta dos 8 kms paro brevemente para tirar um pedra dos ténis mas não há qualquer pedra. Percebo (já por experiência) que é uma bolha em formação.

 

O calor aperta. Decido-me guardar para os kms seguintes mas a recuperação nunca mais veio.

 

A partir do km 10 já só práticamente caminho mas sempre com dores no pé. Sou apanhado pelos atletas vassoura. Digo-lhes logo que iremos travar uma longa amizade. De facto os vassouras acompanham-me até ao final da minha prova, os primeiros até ao Mc Donalds do Restelo sendo então substituídos por dois outros.

 

Cruzo-me com ambos os Carlos por essa altura sendo avisado da deficiente marcação do traçado. Prossigo com cuidado e conseguimos fazer o trajecto sem engano. Os pés apertam cada vez mais. A isto juntam-se dores nas articulações inferiores. Não penso no entanto desistir.

 

Prossigo de volta a Monsanto.

 

Por volta do km 32 encontramos o ultimo grupo de caminheiros (cerca de 10) que nos informam que irão desistir. Ainda tentamos convence-los a continuar connosco mas sem sucesso.

 

Prossigo com dificuldades já com noção que iria ultrapassar o tempo limite de 7 horas, mas pretendo ir até ao fim. Um ponto um pouco irritante foi ter um dos vassouras a perguntar repetidamente se sempre queria ir até ao fim. Seria bom que quem é angariado como vassoura seja informado que a sua função é acompanhar forçosamente quem é lento mas que deveriam apostar mais no apoio/motivação do que no desejo de ir rapidamente para casa.

 

Por volta  dos 36 kms, quando já deveríamos estar a chegar à Radial de Benfica, perdemo-nos e começamos a seguir marcações de uma outra prova. Depois de umas voltas a subir ligamos à organização para confirmar o tipo de marcações. Concluindo que estamos perdidos voltamos à estrada e seguimos até Pina Manique onde saberia retomar o caminho até à meta.

 

Ligam-nos então da organização a dizer que a prova tinha terminado mas que eu poderia seguir até à meta por minha conta e risco. Digo que o vou fazer e os vassouras deixam-me.

 

Telefono ao CG quando chego junto à Embaixada do México e depreendo que iria demorar cerca de uma hora até à meta.

 

Embora me sentisse com capacidade de o fazer decido no entanto parar e o CG oferece-se para me ir buscar. Fiz 37.820 m em 7:08:21 – uma marca para a história.

 

Enquanto aguardo sentado no chão passa a cerca de 2 metros de mim uma cobra com cerca do um metro de comprimento. Novamente penso em tirar uma fotografia mas não deu tempo.

 

Finalmente aparecem o Carlos e a Ana que me levam a casa.

 

Em casa quando tiro as meias vejo a dimensão do problema – várias bolhas uma das quais muito grande na base do pé, vermelha e cheia de pus.

 

No Domingo entretenho-me pois a rebentar bolhas dos pés e a tirar pus para me tentar recompor para o fim de semana seguinte – vamos ver se dá.

 

Com tudo isto os músculos até nem ficaram muito massacrados porque foi uma prova essencialmente a passo.

 

Posso concluir pois que:

 

  1. Não é boa ideia fazer uma maratona sem treino e com ténis novos;
  2. Bem podiam ter adiado a partida para mais tarde;
  3. Foi a prova mais Eco em que já participei – vi uma raposa e uma cobra;
  4. Não obstante todas as agruras não tenciono deixar de participar nas próximas edições

 

Suações desportivas

 

Atletas que concluiram a prova: 217

Vencedor: JOÃO HORA FAUSTINO (Individual) - 3:24:33

 

GEORG WALDSHÜTZ (Dorsal Nº296)

Classificação Geral: 73º - Classificação no Escalão Sénior M: 32º

Tempo Oficial: 4:49:31/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 4:49:02

Tempo médio/Km: 6m:52s <=> Velocidade média: 8,74Km/h(*)

 

BARTOLOMEU SANTOS (Nº151)

Classificação Geral: 201º - Classificação no Escalão Sénior M: 71º

Tempo Oficial: 6:03:15/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 6:02:51

Tempo médio/Km: 8m:36s <=> Velocidade média: 6,98 Km/h(*)

 

FREDERICO SOUSA (Nº 149)

Classificação Geral: NT - Classificação no Escalão Sénior M: NT

Tempo Oficial: NT/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): NT

Tempo médio/Km: -------- <=> Velocidade média: ------- Km/h(*)

 

CARLOS TEIXEIRA (Dorsal Nº175)

Classificação Geral: 193º - Classificação no Escalão M55: 174º

Tempo Oficial: 5:53:56/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 5:53:28

Tempo médio/Km: 8m:23s <=> Velocidade média: 7,16 Km/h(*)

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº150)

Classificação Geral: 199º - Classificação no Escalão M55: 179º

Tempo Oficial: 5:59:12/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 5:58:44

Tempo médio/Km: 8m:30s <=> Velocidade média: 7,06 Km/h(*)

 

Calendário do Mês de Junho

  • 6 - Run for Calcutá (Lisboa/Cruz Quebrada) - 10 Km
  • 7 - Corrida do Oriente (Lisboa) - 10 Km
  • 10 - Extreme Trail Cucos (Torres Vedras) - Trail Longo: 30 Km
  • 20 - Lisbon Eco Marathon (Lisboa/Monsanto) - 42,195 Km
  • 27 - Corrida das Fogueiras (Peniche) - 15 Km
  • 27 - Palmela Run - 12 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 09:29

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