Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

EXTREME TRAIL RUN CUCOS

“Carlos

Como não tenho ido a provas nos últimos tempos, e estou a ficar ferrugento, estou a pensar inscrever-me no trilho curto Extreme Trail Run Cucos em Torres Vedras (12 kms) no próximo dia 10.

A prova não deve ser nada fácil porque o tempo limite para o trail curto é de 6 horas!!!

As inscrições acabam amanhã. Diz-me se também queres vir”.

 

Este foi o pretexto para uma nova prova, ainda por cima em ambiente de montanha como o Carlos Gonçalves e o Frederico tanto apreciam.

 

O Frederico é o nosso especialista em descobrir provas que passam despercebidas aos restantes companheiros das LEBRES E TARTARUGAS. E como um bom desafio nunca é de desperdiçar o Carlos Gonçalves disse logo que sim. Como se tratava de uma prova nova, sem qualquer antecedente, só arriscámos a versão mais curta, de doze quilómetros. A designação de MD – Muito Difícil – presente no Cartaz promocional afastou-nos de cometer uma loucura maior. Fomos numa de “ver para crer” e, caso gostássemos, no próximo ano poderíamos então abalançarmo-nos à prova maior.

 

À chegada às Termas dos Cucos, nas imediações de Torres Vedras, deparámo-nos com um cenário verdadeiramente de sonho. A Natureza estava bem presente num ambiente de vegetação luxuriante e na qual nos iríamos submergir e desaparecer da civilização por algumas horas. A grande quantidade de atletas presentes indicava-nos que esta primeira edição do Extreme Trail Run Cucos não tinha passado despercebida àqueles que não viram a cara a uma nova aventura. Alguns conhecidos, os “habitués”, e outros nem tanto. Estavam reunidos os condimentos para uma original comemoração do 10 de Junho, longe das festas e dos discursos de circunstância ou de conveniência. Nós celebrámos à nossa maneira, e da forma que melhor sabemos, o verdadeiro PORTUGAL de que tanto gostamos e que tão bons atributos lhe reconhecemos.

 

As duas corridas iniciar-se-iam com um quarto de hora de diferença. Uma vez estacionada a nossa viatura, a primeira tarefa que se impunha era a do levantamento dos dorsais. Só que, e contrariamente ao habitual, tínhamos de ir buscar primeiro o dorsal e só depois, numa fila diferente, poderíamos recolher e activar o “chip”.

A situação não estava a ser muito bem controlada pela organização motivando algum atraso na hora da partida. Após um “briefing” com a habitual comunicação das regras da corrida segue-se um período de aquecimento conduzido por uma equipa de um Ginásio de Torres Vedras. Pareceu-nos desnecessário dado o atraso que já se estava a consumar. Ainda antes de nos dirigirmos para a “grelha de partida” ainda tivémos de fazer um controlo do “chip” para a organização se certificar de quem tinha efectivamente partido. Verificámos também que os atletas das duas provas afinal partiriam em conjunto. Foi uma maneira de recuperar algum do atraso.

 

Depois de uma volta pela zona circundante das Termas lançamo-nos à montanha. Logo na primeira subida verifica-se o primeiro congestionamento de atletas com os mais lentos a empatarem os mais rápidos, ou os que, pelo menos, pretendiam ultrapassar o primeiro obstáculo a correr e não a andar. Por isso neste tipo de provas é preferível partir mais à frente. Excepto para o Frederico que quis pôr em prática uma nova táctica: partir em último para ver quem iria ultrapassar ao longo da corrida. A seguir a uma subida tínhamos logo uma descida. Umas mais difíceis e outras menos difíceis. Mas todas elas a exigirem algum respeito e um grande controlo sobre os nossos movimentos e muita atenção aos locais onde colocar os pés. Praticamente não existiram zonas planas. E não faltou a oportunidade de refrescar os nossos pés. Bem em cima dos seis quilómetros, e um pouco antes do primeiro abastecimento, único para o Trail Curto, temos de ultrapassar uma pequena ribeira equilibrando-nos em cima de uma espécie de represa formada por vários e irregulares pedregulhos. Quase a chegar à outra margem o caminho torna-se mais difícil. Para evitar uma desnecessária e aparatosa queda alguns atletas optaram mesmo por saltar para dentro de água e cumprir os dois últimos metros mais em segurança. Enfim, já conseguíamos  dar alguma dignidade aos nossos sapatos de montanha. Com a entrada em terra batida imediatamente mudaram de cor e passaram a confundir-se com o ambiente em redor.

 

À medida que íamos avançando na prova encontrámos um grupo de caminheiros e alguns "bttistas". Quando o fim parecia estar próximo apanhámos um valente susto. Pendurado num arbusto deparamo-nos com um aviso de entrada no “Inferno”. Penso que a maioria tremeu de receio sobre o que nos aguardava. Felizmente que o inferno se transformou mais em “Paraíso”. Não encontrámos nada de pior do que já tínhamos ultrapassado.

 

Numa última descida avistamos as paredes cor de rosa das antigas Termas dos Cucos. Apesar do meu relógio GPS ter deixado de dar sinais de vida tinha a noção de que ainda deveriam faltar cerca de dois quilómetros. Antes de chegar à zona da meta enfrentamos uma das mais íngremes descidas de toda a corrida. Todo o cuidado era pouco para não nos espalharmos ao comprido, e logo à vista de todos quantos aguardavam pelos atletas. É necessário manter alguma dignidade na nossa imagem. Numa bifurcação separavam-se os participantes dos doze quilómetros dos da corrida de vinte e quatro. Incrédulo que estava a terminar a corrida ainda perguntei se não teria que dar mais alguma volta. Não. E mesmo os membros da organização avisavam que vários corredores tinham registado apenas dez quilómetros. Neste momento deu-me uma tremenda vontade de pedir autorização e enveredar pelo restante trajecto da prova maior. Não fosse o Frederico ficar à minha espera e ter-me-ia lançado a uma nova aventura. Fica para o próximo ano.

 

Já depois de terminar a corrida teci os mais elogiosos comentários sobre a prova e afirmando peremptoriamente que em 2015 voltarei. Alguns minutos mais tarde chega o Frederico. Cansado mas também extremamente contente. Cada vez mais temos que apostar em provas novas e desconhecidas.

 

E para algum conforto do nossa estradista ausente tenho de o tranquilizar que as quedas não lhe estão unicamente reservadas. Devido a dois ramos escondidos ao longo do percurso confesso que me espalhei ao comprido por duas vezes. Fica como compensação o facto de apenas ter ficado com uma única ferida. Na realidade fiquei foi com dois ferimentos sobrepostos.  Se fosse no Futebol, atendendo ao sangue espalhado no meu joelho esquerdo, não poderia ter continuado a prova sem que as feridas ficassem estancadas. Mas isso é para “meninos”. Em trail não há espaço para “mariquices dessas”. E também não temos juízes esquisitos.

 

E os nossos dois atletas ficaram bem longe do tempo limite de seis horas. Afinal, apesar de duro, não foi um Trail tão “extremo” quanto o supúnhamos. Ainda há boas surpresas na vida.

 

Enquanto nos deleitávamos no nosso ambiente predilecto o outro Tartaruga, Carlos Teixeira, saboreava um treino longo em estrada. Parece que não o conseguimos convencer a acompanhar-nos com maior regularidade e vigor nas corridas de montanha. Cada um é para o que nasce. Todos estão certos desde que em comunhão de interesses com a sua consciência.

 

Por algum motivo ainda não explicado o tempo do Frederico não foi registado oficialmente pelo que não aparece o nome desta atleta na classificação final.

 

No dia 21 voltar-nos-emos a encontrar os três, e na máxima força, na Lisbon Eco Marathon na Serra de Monsanto às portas de Lisboa.

 

Atletas que concluiram a prova: 132

Vencedor: NUNO GONÇALVES (OFFTEL RUNNERS/Runcross.com): 1:09:59

 

FREDERICO SOUSA  (Dorsal Nº324)

 Classificação Geral: ND -Escalão M50: ND

Tempo Oficial: ND/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 2:22:45

Tempo médio/Km: 11m:54s  <=> Velocidade média: 5,04Km/h (*) 

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº325)

 Classificação Geral: 59º - Classificação no Escalão M50: 5º

Tempo Oficial: 2:01:05/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 2:01:05

Tempo médio/Km: 10m:05s  <=> Velocidade média: 5,95Km/h (*) 

 

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Calendário para o Mês de Junho 

  • 1 - Corrida do Oriente (Lisboa) - 10 Km
  • 7 - Bes Run Challenge (Lisboa) - 10 Km
  • 10 - Extreme Run Trail Cucos (Torres Vedras) - 12 Km
  • 21 - Lisbon Eco Marathon (Lisboa/Monsanto) - 42,195 Km
  • 28 - 1º Trail Serra e Mar (Colares) - 20 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 17:59

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