Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015

CORRIDA DAS CASTANHAS

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 O São Martinho já lá vai mas o Verão ainda cá ficou a gozar mais alguns dias extras para delícia de muitos Portugueses e para júbilo dos milhares de estrangeiros que nos visitam todos os dias. É normal que nesta altura do ano, e fazendo jus à lenda do S. Martinho, o tempo melhore desaparecendo a chuva e o vento e aumentando a temperatura. Nem sempre assim acontece mas, na nossa memória, só há espaço para os casos em que a tradição se mantem. Nos outros é “a excepção que confirma a regra”.

 

Lenda do verão de S. Martinho

 

Martinho antes de ser Santo foi soldado do Imperador. Uma vez ia montado no seu cavalo num dia tempestuoso de chuva e vento muito embrulhado na sua capa de soldado.  Surgiu-lhe num caminho um pobrezinho de mão estendida muito magra semi-nu a tremer de frio e também de fome. O Moço cavaleiro ficou abalado, e depois de dar umas moedas ao pobre desceu do cavalo e com a própria espada cortou a capa que trazia ao meio dando uma parte ao pobre, para ele se cobrir e ficando com a outra metade para si. Passados momentos o temporal amainou as nuvens foram desaparecendo, transformando-se a tempestade num dia de sol brilhante, raro na estação do Outono. Eis a Lenda do Verão de S. Martinho, Santo que é comemorado no dia 11 de Novembro, geralmente com um serão de família e amigos.  Diz o ditado. No dia de S. Martinho, prova o teu vinho.  Usança — Junta-se a família, convidam-se os amigos e todos se reúnem à lareira, ao redor de uma boa fogueira. É o tempo da apanhadas castanhas e nesse dia, assa-se uma grande porção num assador próprio, feito já para tal, em latão com buracos no fundo. Põe-se dependurado em cima da fogueira e enquanto assam, uns conversam, outros vão buscar o vinho.  As castanhas depois de assadas, deitam-se num cesto que se coloca ao centro, para todos lhe chegarem.

 

O Frederico e o Carlos Gonçalves tinham previsto para este fim-de-semana a participação no Trail de Ferreira do Zêzere. Tratava-se de um regresso ao ambiente que estes dois Tartarugas privilegiam e mais se sentem como “peixes na água”.

 

No rescaldo da participação do Carlos Gonçalves na Maratona do Porto o Frederico informou o seu colega de que não poderia, por motivos particulares, estar nesta prova. Apesar de tudo estas palavras até soaram bem pois o Carlos Gonçalves, tendo em consideração a atribulada Maratona do Porto, não se sentia em grandes condições para enfrentar uma dura prova de “Trail” numa distância de trinta e cinco quilómetros. Não estava em causa a distância mas a dureza e a exigência do percurso.

 

Assim o Frederico logo tratou de encontrar uma alternativa. E bem perto de sua casa, em plena Serra do Monsanto, disputava-se a Corrida das Castanhas. Com uma distância aceitável, e um percurso já conhecido destes atletas, esta afigurava-se como a corrida ideal, fosse para um treino dominical para manter alguma forma física, ou para recuperar de forma activa de outros esforços.

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Hoje em dia, para atletas mais experimentados, uma corrida de dez quilómetros pode ser avaliada como uma rotina, sem grandes dificuldades de maior, e como substituição de um normal treino, mas com companhia. E foi com este espírito que o Frederico e o Carlos Gonçalves abordaram a sua participação na Corrida das Castanhas. O facto de se desenrolar nas estradas da Serra do Monsanto traz-nos à memória a Lisbon Eco Marathon, local de onde guardamos boas recordações. Por outro lado, e contrariando o ditado de “tudo o que sobe tem de descer”, nesta Corrida tínhamos mais a descer do que a subir. Depois de uma primeira volta em torno da Alameda Keil do Amaral (estrada que anteriormente estava aberta à circulação automóvel) seguimos até à zona de Pina Manique bem pertinho do Estádio do Casa Pia e do local onde o Frederico, na Lisbon Eco Marathon, travou conhecimento com uma cobra e com uma raposa.

 

Uma descida prolongada deu-nos a  oportunidade desejada para recuperar um rimo que inicialmente talvez não tenha sido do nosso inteiro agrado. E como a subida para o Restaurante dos Montes Claros foi mais às curvas significa que a pendente do percurso não foi tão dura quanto seria expectável. E neste aspecto, e como o Frederico referiu tão a propósito, o facto de conhecermos sobejamente esta parte do percurso deu-nos alguma margem de manobra e abordagem positiva.

 

Bem perto da zona dos Montes Claros deparamo-nos com um atleta a dar apoio ao seu cão que o acompanhou ao longo de toda a corrida. A subida final terá exigido demais do fiel amigo que, prostrado, respirava ofegantemente e sorvia com grande avidez, e alguma dificuldade, a água que o dono lhe oferecia. Pior do que presenciarmos um atleta em dificuldade é ver um animal sofrer. É como se fosse uma criança. E custa muito mais…

 

Ultrapassado este obstáculo mais de índole psicológica somos avisados que nos restariam cerca de um quilómetro e meio sempre a descer até à meta. Mas nem sempre pudemos beneficiar desta vantagem. Alguns de nós tivémos de aguardar a passagem inesperada de uma coluna militar a Cavalo que barrou a passagem dos atletas. Indiferentes ao nosso desespero, os militares, do alto das suas montadas, olhavam com alguma sobranceria os vários atletas que aguardavam ansiosamente pelo fim daquele contratempo. Mostravam um ar superior mas certamente que nós, cá em baixo, nos divertíamos muito mais do aquelas máscaras impiedosamente frias e sem qualquer traço de alegria.

 

Terminados os dez quilómetros de uma corrida potencialmente sem história conseguimos, uma vez mais, darmo-nos por satisfeitos por mais uma nova aventura. Como diz um dos cânticos da claque sportinguista “só eu sei porque não fico em casa”. Esta é, seguramente, uma das raras vezes em que nós Benfiquistas até estamos de acordo com os nossos vizinhos do outro lado da 2ª Circular de Lisboa...

 

Atletas que concluiram a prova: 537

Vencedor: DAVID INÁCIO (Juventude Desportiva Almansor) - 0:33:14

 

FREDEICO SOUSA (Dorsal Nº591)

Classificação Geral: 471º - Classificação no Escalão M5054: 37º

Tempo Oficial: 0:59:35/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 0:59:05

Tempo médio/Km: 5m:54s <=> Velocidade média: 10,16Km/h(*)

 

CARLOS GONÇALVES (Dorsal Nº592)

Classificação Geral: 228º - Classificação no Escalão M5559: 16º

Tempo Oficial: 0:49:30/Tempo Cronometrado (Tempo do Chip): 0:49:00

Tempo médio/Km: 4m:54s <=> Velocidade média: 12,24Km/h(*)

 

(*) - O Tempo médio/Km e a Velocidade média foram calculados em função dos tempos cronometrados (tempo do chip)

 

Corridas do Mês de Novembro

  • 8 - Corrida Farmacêutica (Lisboa) - 10 Km
  • 8 - Maratona do Porto - 42,195 Km
  • 14 - Trail de Ferreira do Zêzere (F. Zêzere) - 20 Km/35 Km => Não participámos
  • 15 - Corrida das Castanhas (Lisboa) - 10 Km
  • 22 - Corrida D. Dinis (Odivelas) - 10 Km
  • 29 - Grande Prémio de Atletismo da Mendiga  - 15,7 Km
publicado por Carlos M Gonçalves às 22:08

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